Começa Hoje o Cariri Cangaço Piranhas 2014...


Tudo pronto para a abertura da Agenda Cariri Cangaço 2014. Piranhas, a sede Cariri Cangaço nas Alagoas, promove a primeira Avante-Premiere de 2014. Uma das cidades mais bonitas e acolhedoras do Brasil, às margens do São Francisco, rica em beleza, esbanjando história e tradição, realiza a partir de logo mais as 16 horas a Semana do Cangaço, com vasta e rica programação no momento em que se registram 76 anos da morte de Virgulino Ferreira em Angico, Sergipe.

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

Dia 24 de Julho de 2014 
Quinta –feira – Piranhas 
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo de Medeiros 

16:00 h –  Abertura da Semana do Cangaço  
Prefeito de Piranhas Dr. Dante Alighieri
Apresentação da Filarmônica  Mestre Elísio – Piranhas /AL
16:20 h –  Palestra : Soldado Adrião - A Outra Face do Cangaço
                 Palestrante:  Antonio Vilela – Pesquisador e Escritor 
SBEC e Conselheiro Cariri Cangaço
17:00 H – Intervalo
17:10 h – Mesa Redonda :  Cultura Regional  
               Prof. Dr. Benedito Vasconcelos ( Presidente da SBEC ) 
 Profª Railda Nascimento ( MAX – Museu de Arqueologia de Xingó) 
Luiz Carlos Salatiel ( Prefeitura de Piranhas) 
 Jaqueline Rodrigues ( Representante da ASTURP )
Coordenador da Mesa : Manoel Severo ( Curador do Cariri Cangaço)
17:40 h – Debate
18:40 h – Apresentação  de peça teatral com o grupo Estrelas do Sertão
19:20 h –  Lançamento de Livro e Novas Edições 
"Lampião em Paulo Afonso" - João de Sousa Lima
"Dicionário Biográfico Cangaceiros e Jagunços" - Renato Luis Bandeira


Dia 25 de Julho de 2014
Sexta-feira - Piranhas
Local : Centro Cultural Miguel Arcanjo 

10:00 h - Reunião Extraordinária SBEC
11:00h - Reunião Extraordinária do CARIRI CANGAÇO
15:00 h –  Lançamento do Projeto  Arqueologia do Cangaço
                Prof. Dr. Carlos Guimarães ; Prof. Dr. José Roberto Pellini 
Prof. Dr. Leandro Domingues Duran
UFMG , UFBA, UFS - MAX, UFPA
 15:40 h – Intervalo
15:50 h – Palestra : Lampião no imaginário do homem do sertão
               Palestrante : Prof. Wescley Rodrigues
16:30 h – Exibição do documentário:
 “ A violência oficial nos tempos do Cangaço “  de Aderbal Nogueira.
16:40 h – Mesa Redonda :  O Estado e o Cangaço 
                Componentes da Mesa
Manoel Severo - Fortaleza, CE
João de Souza Lima - Paulo Afonso - BA
Sousa Neto - Barro, CE
Tenente Coronel Lucena - Maceió - AL
Coordenador da Mesa : Jairo Luiz Oliveira
17:20 h – Debates
18:00 h – Apresentação do grupo de xaxado Cangaceiros do Capiá  Piranhas /AL
18:30 h – Encerramento

Dia 26 de julho de 2014
Sábado - Piranhas _ AL


09:00 h - Oficina de Discussão Arqueologia e Cangaço 
                Participantes : Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC GECC, GPEC e Cariri Cangaço
12:00 h – Término da oficina e intervalo para almoço

09:00 h - Oficina de discussão Arqueologia e Cangaço 
    Pesquisadores da UFS , UFMG, UFPA, UFBA, SBEC e Cariri Cangaço
12:00 h – Término da oficina
14:00 h – Exibição de Imagens inéditas 
"O cangaceiro Vinte e Cinco" de Aderbal Nogueira
14:40 h - Dinâmica: A história oral como história
15:40 h - Debates
16:40 h - Autógrafos 
"Lampião na Bahia" - Oleone Coelho Fontes


Dia 27 de Julho de 2014
Domingo - Piranhas - AL


09:00 h – City Tour em Piranhas
Visitas: Palácio D. Pedro II  ( atual Prefeitura Municipal)
 Museu do Sertão; Local da morte do coiteiro  Pedro de Cândido; 
Estação Ferroviária




Dia 28 de Julho de 2010
Segunda-feira

08:00 h – Saída para Angico – Missa do Cangaço
Local de embarque : Porto de Piranhas/AL
13:00 h – Retorno

SEMANA DO CANGAÇO 2014
CARIRI CANGAÇO PIRANHAS 
ALAGOAS - BRASIL
Manoel Severo e Jairo Luiz

O evento é uma realização da Prefeitura Municipal de Piranhas com a marca Cariri Cangaço e o apoio da ASTURP, da Universidade Federal de Sergipe e do MAX - Museu de Arqueologia de Xingó e terá as conferencias, debates e exibição de vídeos no Centro Cultural Miguel Arcanjo na Piranhas Antiga, Patrimônio da Humanidade; além de visitas dirigidas a muitos dos principais cenários do cangaço lampiônico da década de 30, tanto em Piranhas como em Entremontes e Olho d'Água do Casado,  em Alagoas e Canindé do São Francisco e Poço Redondo em Sergipe.

A Avante-Premiere Cariri Cangaço 2014 em Piranhas tem a frente o pesquisador e Conselheiro Cariri Cangaço, turismólogo Jairo Luiz; e terá as presenças de representantes da SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, do GECC - Grupo de Estudos do Ceará, do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, além de Universidades e escolas, dentre outras representações e instituições ligadas à pesquisa e estudos do Cangaço, de todo o Brasil.  

Aguardamos Você !

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço
Jairo Luiz Oliveira - Coordenador Geral da Semana do Cangaço

Princesa Isabel: A nova casa do Cariri Cangaço

João Mandu comanda a recepção ao Cariri Cangaço em Princesa

Uma grande recepção marcou a chegada do Cariri Cangaço ao município de Princesa Isabel. Na manhã deste domingo, dia 20 de julho de 2014. Tendo à frente a tradicional família Mandu; com o Patriarca João Mandu e sua encantadora esposa dona Nazelis; a Caravana Cariri Cangaço foi recebida com festa nesta que é uma das cidades de maior tradição histórica no estado da Paraíba. “É muito importante chegar a Princesa, aqui foi o berço da Revolução de Trinta” diz o Assessor de Marketing Institucional do Cariri Cangaço, Heldemar Garcia...

A Caravana Cariri Cangaço, composta por seu curador, Manoel Severo, o Conselheiro e presidente do GPEC Narciso Dias, os pesquisadores Jair Tavares e Jorge Remigio, o Assessor de Marketing Institucional Heldemar Garcia e Ingrid Rebouças, participaram no período da tarde de reunião de trabalho que viria a marcar a confirmação de mais uma sede do Cariri Cangaço na Paraíba, agora em Princesa Isabel.

Jorge Remigio, Narciso Dias, Roberto Santana, Manoel Severo, João Mandu e Socorro Maria
Secretária de Cultura Socorro Maria, Manoel Severo e Carmelo Mandu
Pacelli Mandu e Manoel Severo

Em princípio na residência da família Mandu; no centro de Princesa ; e logo depois na sede do Instituto Frei Anastácio , autoridades municipais, familiares e muitos amigos aguardavam a chegada do Cariri Cangaço para um almoço de confraternização. “Na verdade foi um almoço de celebração aqui em Princesa, um almoço festivo e significativo que marcou a parceria entre o Cariri Cangaço e Princesa Isabel, contando com o apoio do GPEC ” acentuou o presidente do Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço, Narciso Dias. “Nunca imaginávamos que tivéssemos uma recepção tão calorosa e tão cheia de emoção, parecia até que já nos conhecíamos a muito tempo” confessa o pesquisador Jorge Remígio.

O encontro contou com a participação de Socorro Maria , Secretária de Cultura de Princesa, do Assessor Emanuel Arruda, dos vereadores Eugenio Pacelli Mandu e Irismar Mangueira, do Presidente do Grupo Abolição, Sandro Mandu, do Secretário de Meio Ambiente de Flores, Roberto Santana,  além do anfitrião João Mandu,  Carlos Carmelo Mandu entre muito outros convidados.

 Dona Nazelis recebe de Manoel Severo presente do Cariri Cangaço 
Sandro Mandu, Irismar Mangueira e Manoel Severo
Jair Tavares entrega a Carmelo Mandu o Diploma de "Amigo do Cariri Cangaço"
Ingrid Rebouças e Edson do Grupo Abolição

Depois das palavras iniciais de seu João Mandu, Carmelo Mandu, Narciso Dias, Jorge Remigio, Roberto Santana e Socorro Maria, o curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, realizou  a apresentação do Cariri Cangaço e do projeto do empreendimento no município de Princesa Isabel já para o ano de 2015. Também foram entregues Diplomas de “Amigo do Cariri Cangaço” a João Mandu, Carmelo Mandu e de “Cidade Amiga do Cariri Cangaço” ao município de Princesa Isabel,  recebido pela Secretária Socorro Maria, representante do Prefeito Municipal. “Nosso Curador Manoel Severo fez uma explanação brilhante sobre o Cariri Cangaço e agora é uma grande honra estarmos também chegando a Princesa Isabel” ressalta o pesquisador Jair Tavares.

João Mandu disse de sua “alegria em receber  esse grande evento. E com honra o Cariri Cangaço em Princesa está sendo inaugurado hoje em Princesa” Já o vereador Irismar Mangueira falou do “apoio incondicional ao Cariri Cangaço, um evento por demais consolidado não só no nordeste, mas em todo o Brasil”. A Secretária de Cultura de Princesa, Socorro Maria, representando o município disse de sua “grande emoção com o encontro de hoje, encontro que renovou as forças para a luta na direção do fortalecimento da cultura e tradições históricas em Princesa, é uma honra realizar aqui o Cariri Cangaço”.

 Secretária Socorro Maria recebe das mâos de Narciso Dias o Diploma de "Cidade Amiga do Cariri Cangaço"
Dona Nazelis entrega a seu esposo João Mandu seu Diploma Cariri Cangaço

Ao final do encontro foi fechado o pacto de cooperação entre o Cariri Cangaço, o GPEC e a Secretaria de Cultura de Princesa para a realização do primeiro “Cariri Cangaço Princesa” já com data marcada para o mês de Março de 2015. “Essa data foi extremamente oportuna pois estaremos no Cariri Cangaço homenageando os 85 anos da Revolução de Trinta, com seu berço forte aqui em Princesa” lembra Emanuel Arruda, assessor do município.


Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço fala da emoção da chegada do Cariri Cangaço a Princesa Isabel: “Quem estuda o nordeste, quem estuda o fenômeno do Cangaço,  o Coronelismo, a  Revolução de 30, e notadamente o marcante e emblemático episódio da Revolta e do Território Livre , sem nenhum esforço compreende a importância de Princesa no cenário e no contexto histórico de nosso Brasil. Confesso que hoje estou muito emocionado, com uma alegria muito grande em poder chegar com o Cariri Cangaço em Princesa Isabel,  e além de tudo isso, ser recebido pela família Mandu, seu João, dona  Nazelis, os filhos, os familiares, os amigos, realmente foi muito emocionante e aqui não poderia deixar de registrar meu abraço de gratidão ao amigo Carmelo Mandu, na verdade, o grande responsável por esse início de parceria que com certeza já nasce com muito sucesso. Agora é aguardar Março chegar, e aí sem dúvidas viver mais um inesquecível e marcante evento, o primeiro Cariri Cangaço Princesa!”  

Assessoria de Marketing Institucional
Heldemar Garcia
Cariri Cangaço

Abrigo Luca Zorn, uma Lição de Vida e Amor Por:Manoel Severo


Todos conhecem o "livreiro professor Pereira", seu inegável talento para nos proporcionar sempre o melhor da literatura do cangaço e do nordeste; mas, poucos conhecem o extraordinário trabalho social e humano desse casal, com o abrigo de velhinhos Luca Zorn, algo simplesmente sensacional, ali se pode perceber o tamanho do coração de "Pai" Pereira e "Mãe" Fátima.  

O Abrigo Luca Zorn foi fundado em 1973 a partir de uma doação de imigrantes italianos da Família Zorn à comunidade de Cajazeiras  para acolher idosos abandonados. Ficou fechado por alguns anos e reabriu a partir do trabalho hercúleo de uma das associados do Abrigo, a professora Fátima Cruz em outubro de 1996. Hoje, depois de 18 anos de batalha e já aposentada;  Fátima Cruz dividi seu tempo e sua vida com as duas família que ama; a de casa e a do abrigo, com  uma dedicação sem igual.

Manoel Severo e Fátima Cruz

Essa mesma dedicação, o zelo, a responsabilidade e o amor contido no trabalho de manutenção do Abrigo de idosos Lucas Zorn pelo casal Fátima Cruz e Professor Pereira com toda sua equipe é simplesmente sensacional, e a cada momento e em cada recanto é fácil perceber o quanto de cada um daquela equipe, se entrega para proporcionar momentos de felicidades para os idosos que ali residem.

“Os desafios são inúmeros e toda ordem, mas com o apoio dos muitos amigos e além de tudo com o sorriso e a alegria de nossos “filhinhos e filhinhas” aqui do abrigo tudo vale a pena” , confessa Fátima Cruz; o abrigo acolhe hoje 17 idosos,14 mulheres e 3 homens, alguns com mais de 15 anos que residem ali. No sorriso e na alegria de cada um dos idosos vamos descobrindo fragmentos de uma vida e um passado esquecidos; histórias fantásticas, alegrias , tristezas, lembranças, que vão e vem, num caleidoscópio encantador. 

Dona Josefa: "estamos no céu"
Dona Das Dores, a esposa de Zé,  Governador...
Dona Humbelina chegou a flertar com Chico Pereira, hoje tem 106 anos...

Dona Josefa de 84 anos se sente “no céu, aqui é um céu meu filho, ninguém trata mal a gente, é uma alegria, todo dia vem gente visitar, não quero sair daqui nunca”... Dona Das Dores “namora” o governador do estado que ela chama de Zé, “meu filho tu é parente de Zé, diz pra ele vir aqui, ontem ele veio”; dona Humbelina  já com 114 anos é a moradora mais antiga e a segunda mulher mais velha da Paraíba e ainda a incrível Zefinha com seus 106 anos e a história incrível de ter tido um namorico com ninguém menos que Chico Pereira, o famoso cangaceiro de Nazarezinho!

Indo a Cajazeiras não deixe de visitar o Abrigo Lucas Zorn, levar seu abraço, sua palavra e seu sorriso para os velhinhos que nos recebem com tanto carinho e você que mora em Cajazeiras não deixe de conhecê-lo e de alguma forma não deixe de colaborar com um pouco que seja com essa grande obra.

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço 

Cajazeiras Realiza Reunião do Cariri Cangaço

Cariri Cangaço chega a Cajazeiras

A sede do Abrigo Lucas Zorn foi palco da reunião Extraordinária do Cariri Cangaço em Cajazeiras, com a presença do Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo; dos Conselheiros Professor Pereira e Wescley Rodrigues, do Secretário de Cultura de Cajazeiras Aguinaldo Cardoso, das netas do cangaceiro Sabino Gomes, Dra Francisquinha Pereira e professora Maria José Pereira, dos graduandos em história Andressa Santana e José Heriberto, jornalista Heldemar Garcia, dos radialistas Angelo Lima e Halisson Gonçalves, Fátima Cruz, Ingrid Rebouças e ainda de Messias Lima e Maria Ferreira de São José de Piranhas e Iris Mendes de Nazarezinho, o município de Cajazeiras realizou o primeiro encontro de trabalho da Caravana Cariri Cangaço 2014.

A pauta constou da apresentação das principais realizações do Cariri Cangaço e também do Projeto de realização do evento em Cajazeiras já no ano de 2015; pelo Curador do evento, Manoel Severo ao lado do professor Pereira e de Heldemar Garcia; os presentes puderam tomar conhecimento da agenda Cariri Cangaço para o ano em curso como também conhecer as principais diretrizes para a realização do mesmo no município de Cajazeiras, como também dá os primeiros passos na formatação do evento que teria uma previsão inicial para o primeiro semestre do ano que vem.  A reunião contou ainda com  o acompanhamento da Rádio Oeste de Cajazeiras.

Secretário de Cultura de Cajazeiras Aguinaldo Cardoso e Manoel Severo 
A presença da Universidade: Graduandos Andressa e José Heriberto

Logo após a reunião de trabalho os presentes assistiram a um vídeo institucional documentário do Cariri Cangaço, presenteado pelo Conselho Consultivo ao Secretário de Cultura Aguinaldo Cardoso. Para o Conselheiro Cariri Cangaço, Professor Pereira “a realização do Cariri Cangaço em Cajazeiras era um sonho antigo e que agora estamos prestes a realizar em grande estilo, será espetacular, aguardem!” Para o Curador do evento, Manoel Severo “chegar em Cajazeiras é uma grande satisfação para o Cariri Cangaço, sem dúvidas haveremos de realizar um grande evento com o apoio vital do secretário Aguinaldo, das universidades, de outros organismos governamentais e não governamentais, de nossa SBEC, do GPEC e do GECC, é mais um grande tento para todos nós que fazemos parte deste desafio de consolidar a história, a cultura e as tradições de nosso nordeste, parabéns a Cajazeiras, parabéns a todos nós”.

O Secretário de Cultura de Cajazeiras, Aguinaldo Cardoso ressaltou o trabalho de articulação que será realizado para o Cariri Cangaço Cajazeiras, “Haveremos já de iniciar as articulações aqui no município, inclusive com as universidades e outros parceiros para Cajazeiras receber e realizar um grande Cariri Cangaço”.

 Manoel Severo, Aguinaldo Cardoso, Professor Pereira
 Imprensa de Cajazeiras acompanha reunião do Cariri Cangaço: Halisson Gonçalves e Angelo Lima

Para o Assessor de Marketing Institucional do Cariri Cangaço, Heldemar Garcia, “a Paraíba já pode se considerar a segunda casa do Cariri Cangaço, depois do Ceará, pois já temos Cariri Cangaço em Sousa, Nazarezinho, Lastro e agora as iniciativas vitoriosas de Cajazeiras e com certeza Princesa Isabel, consolidam a Paraíba como parceiro irmão do Cariri Cangaço, e aqui ressaltar o trabalho espetacular dos Conselheiros Professor Pereira e Wescley Rodrigues como também de parceiros de primeira hora como Iris Mendes de Nazarezinho e Cesar Nóbrega de Sousa, parabéns Paraíba, parabéns Cariri Cangaço”.

Cariri Cangaço
Assessoria de Marketing Institucional

Malas Prontas e Pé na Estrada !!! Por: Manoel Severo


Certamente quando os amigos estiverem lendo esta postagem , já estejamos "na estrada". Grandes jornadas se traduzem em planejamento, disciplina, determinação, esforço e acima de tudo sentimento. Não canso de dizer que o Cariri Cangaço é o resultado da união desses sensacionais ingredientes, selecionados e misturados com entusiasmo por muitas mãos, daqui, dali, dacolá... De todos os cantos onde haja um Brasil de Alma Nordestina.

Começa mais uma jornada Cariri Cangaço. De hoje até o próximo dia 28, estaremos trilhando os caminhos maravilhosos do sertão tão amado; revendo com alegria e fraternidade a família Cariri Cangaço espalhada por este "mundão a fora" e conhecendo novos amigos. O destino é o estado de Alagoas, a sede encantada do Cariri Cangaço Piranhas, mas antes de chegar lá ainda temos muitos compromissos, muitos e maravilhosos compromissos, viajem conosco... 

Professor Pereira e Fátima Cruz

Cajazeiras, Paraíba: Neste sábado, dia 19 temos encontro marcado em Cajazeiras com o confrade e amigo, Conselheiro Cariri Cangaço Professor Pereira e sua espetacular esposa, Dona Fátima Cruz, com direito a encontro com as netas do cangaceiro Sabino Gomes, Dra Francisquinha e Maria José.

Princesa Isabel, Paraíba: No domingo, dia 20 à convite do companheiro Carmelo Mandu, estaremos sendo recepcionados em almoço na casa de seu pai, o patriarca João Mandu, ao lado de toda tradicional família, reunindo confrades de Princesa Isabel na Paraíba e Flores em Pernambuco. Ali teremos uma reunião de trabalho com a Secretaria de Cultura de Princesa além de apresentação do Grupo de Cultura Abolição. Nesta visita de trabalho estaremos ao lado dos confrades do GPEC - Grupo Paraibano de Estudo do Cangaço, Narciso Dias, Jorge Remigio e Jair Tavares.


Narciso Dias, Geziel Moura, Jorge Remigio e Jair Tavares

Triunfo, Pernambuco: Na segunda-feira, dia 21, logo cedo, estaremos aportando na bela Triunfo, anfitrionados pelos amigos Diana Rodrigues, André Vasconcelos e Assis Timóteo. Nossos compromissos em Triunfo e Princesa Isabel possuem o objetivo de começar a pensar na realização de um Cariri Cangaço na região, unindo os dois municípios, os dois estados.

Serra Talhada, Nazaré e Floresta, Pernambuco: Na terça-feira, dia 22, o berço de Virgulino Ferreira nos espera. Além da visita obrigatória aos amigos do Xaxado Cabras de Lampião e ao Museu do Cangaço; Anildomá e Cleonice; teremos ao lado do companheiro Euclides Ferraz Neto; descendente de uma das mais tradicionais família de "nazarenos"; uma visita técnica a Nazaré do Pico, onde já nos aguarda o companheiro Paulo George de Belém do São Francisco. Dali até Floresta para encerrar o dia.

Euclides Ferraz Neto e Manoel Severo

Petrolândia, Pernambuco: Ainda dia 22 aportaremos para dormir em Petrolândia "emblemática terra" do querido Jadílson Ferraz, que já foi Bin Laden e hoje travestiu-se de Falcão... Um amigo extraordinário e que com muita determinação e trabalho está consolidando o Museu do Nordeste em sua cidade, ali também o Cariri Cangaço se fará presente.

Água Branca e Delmiro Gouveia, Alagoas: Na quarta-feira, dia 23 a acolhedora Água Branca, cenário do primeiro saque de Virgulino Ferreira, recebe o Cariri Cangaço e ao lado do confrade Edvaldo Feitosa, teremos a satisfação de reencontrar essa cidade de beleza e clima, incomuns. Logo depois de Água Branca estaremos com compromisso marcado com Delmiro Gouveia e a saga de um dos maiores empreendedores do século, ao lado do confrade Edvaldo Nascimento e dali: Rumo a Piranhas


Piranhas, Alagoas: Bem; aqui contamos depois... Pois é o inicio da Semana do Cangaço na quinta-feira dia 24 com o Cariri Cangaço Piranhas ! Onde encontraremos os confrades de todo o Brasil num evento que sem dúvidas foi pensado e trabalhado com muito zelo e cuidado pelo Conselheiro Cariri Cangaço, Jairo Luiz e sua equipe, aqui ressaltamos o apoio do prefeito Dante Bezerra de Meneses, é aguardar para ver, e dia a dia estaremos registrando neste blog tudo o que aconteceu em nossa jornada.

Grande abraço a todos,
Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço

A Família de Lampião em Juazeiro Por: Leandro Cardoso

Dr Leandro Fernandes Cardoso

Muita gente não sabe, mas a família de Lampião viveu em Juazeiro do período de 1923 a1927, com a permissão do Padre Cícero.Na segunda década do século passado, por duas vezes, a família Ferreira teve que se mudar em razão dos entreveros com o vizinho José Alves de Barros, o Zé de Saturnino. Na primeira vez, obedecendo a um pacto de acomodação arbitrado pelo Coronel Cornélio Soares de Vila Bela, mudaram-se para a Vila de Nazaré. 

Na segunda vez, demandaram à cidade alagoana de Mata Grande, ocasião em que morreram os genitores de Lampião, José Ferreira (vítima da volante de José Lucena Maranhão) e Dona Maria (vítima de um ataque cardíaco). Em 1922, o jovem cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, já definitivamente com o pé fincado no cangaço, assume a chefia do bando do célebre Sinhô Pereira, que deixava o Nordeste em fuga para Goiás. A família Ferreira, sem possibilidade de retornar para Vila Bela, procura abrigo em Juazeiro do Norte. Com a morte dos pais, João Ferreira (o único dos irmãos que não entrou para o cangaço), assume a chefia da família. Após conversa com o Padre Cícero, recebe permissão para se estabelecer em Juazeiro com as irmãs, cunhados, primos (os Paulo) e sobrinhos.Na passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, em 1926, foram tiradas várias fotografias da família. 



Na célebre foto da família reunida (que é vista acima), vemos na extrema esquerda sentado, Antônio Ferreira e na extrema direita, Lampião; a segunda sentada da direita para a esquerda é Dona Mocinha (tendo seu marido, Pedro Queiroz, atrás de si); ao lado direito de Pedro está João Ferreira; do lado esquerdo de João está Ezequiel (que depois entraria para o cangaço com o vulgo de Pente Fino); e, finalmente, o segundo da direita para a esquerda, em pé, é Virgínio (seria o futuro cangaceiro Moderno, chefe de grupo), casado com uma irmã de Lampião, que logo morreria de parto em Juazeiro.

Na ocasião da foto, Dona Mocinha (Maria Ferreira de Queiroz) estava recém-casada com Pedro e, nas várias ocasiões em que a entrevistei, ela sempre externou a enorme benevolência do Padre Cícero, e que todos da família se sentiam seguros em Juazeiro.  Dona Mocinha, hoje com 96 anos, única remanescente viva dos irmãos e irmãs de Lampião, moraem São Paulo e foi diversas vezes entrevistada por mim. Contou-me que aprendeu a dançar com Virgulino tocando “harmônica” no terreiro da fazenda “Passagem das Pedras”, em Vila Bela, e que o irmão vivia na casa da avó, Dona Jacosa Lopes. Refere-se aos irmãos sempre com muito carinho, dizendo que o mais fechado era Antônio e o mais brincalhão era Levino Ferreira. E, em todas as vezes que conversamos, sempre externou a excelente acolhida que a família teve em Juazeiro, e gratidão de todos ao Padre Cícero. Tanto é que seu primogênito é afilhado do Padre Cícero. Rememora com muita satisfação dos familiares de João Mendes de Oliveira, de quem se tornaram amigos. 


Aderbal Nogueira, Leandro Cardoso, Antonio Amaury , Paulo Britto e Alcino Costa, no Cariri Cangaço.

Dona Mocinha casou em Juazeiro com Pedro Queiroz e só deixou a Meca nordestina quando a polícia pernambucana intimou seu marido em Vila Bela, e o prendeu arbitrariamente. Então, Dona Mocinha (e parte da família), teve que deixar Juazeiro em 1927 para residir em Serra Talhada. Para finalizar, deixo minhas homenagens à Dona Mocinha, que hoje, quase centenária e lúcida, é um repositório vivo da história recente do Brasil e de Juazeiro do Norte, uma vez que foi expectadora de camarote de um dos períodos mais interessantes e polêmicos da nossa história recente, além de ser testemunha inconteste do desprendimento e da bondade incondicionais do Padre Cícero Romão Batista. (O autor é médico, cordelista, escritor, residente em Teresina, PI – Foto 1: O autor com Dona Mocinha. Foto 2: Lampião com seus familiares em Juazeiro 

Leandro Cardoso Fernandes, Médico, Pesquisador e Escritor
Conselheiro Cariri Cangaço
Fonte:http://historiadejuazeiro.blogspot.com.br

A Sedição, Zé Pinheiro e Floro... Por:José Mauricio Machado Lima

Raimundo de Oliveira Borges

Esta é uma história que Raimundo de Oliveira Borges (Tio Mundinho), conta, numa das dezenas e dezenas de livros que escreveu; este chamado “O Padre Cícero e a Educação em Juazeiro”, ABC Editora, 2004. O cenário era a revolução de 1914, assim sumariamente descrita, conforme aconteceu na região do Cariri, situada no sul do Ceará, fazendo fronteira com o noroeste de Pernambuco: 

“Em 4 de outubro de 1911, Padre Cícero e outros dezesseis líderes políticos da região firmaram um acordo de cooperação entre si e apoio ao governador Antônio Pinto Nogueira Accioli. Tal evento ficou conhecido como Pacto dos Coronéis e representa um marco na história do coronelismo brasileiro.

No ano seguinte, o então presidente da República Hermes da Fonseca depôs o governador Nogueira Accioli e nomeou o coronel Marcos Franco Rabelo como interventor do Ceará. Houve eleição apenas para vice-governador onde o Padre Cícero foi o escolhido. Depois de assumir o posto, Franco Rabelo rompe com o Partido Republicano Conservador (PRC) e passa a perseguir Padre Cícero, chegando a destituí-lo da prefeitura de Juazeiro e a mandar um batalhão da Polícia estadual prender o padre. Então, o médico Floro Bartolomeu (braço direito do padre) reuniu jagunços e romeiros para proteger Padre Cícero. Em apenas uma semana, os romeiros cavaram um valado de nove quilômetros de extensão cercando toda a cidade e ergueram uma muralha de pedra na colina do Horto; a fortificação recebeu o nome de "Círculo da Mãe de Deus". O batalhão, ao ver que seria impossível romper o círculo, recuou e pediu reforços.

Franco Rabelo

Um contingente muito maior foi enviado a Juazeiro, levando consigo um canhão para derrubar a muralha que protegia a cidade, porém, o canhão falhou e os romeiros armados apenas com algumas espingardas, facas, foices e muita fé venceram os invasores. O canhão foi tomado e está exposto até hoje no "Memorial Padre Cícero". Floro Bartolomeu consegue então o apoio do Presidente Hermes da Fonseca e do Senador Pinheiro Machado, e parte para Fortaleza com o intuito de derrubar o governador. No caminho, os romeiros tomam o poder no Crato, Barbalha, Estação Afonso Pena (próxima a Iguatu), Messejana, Maracanaú e Maranguape, fechando todas as entradas da capital, enquanto uma esquadrilha da Marinha de Guerra capitaneada pelo Cruzador Barroso impõe um bloqueio marítimo à cidade. Franco Rabelo é deposto e eleições são convocadas, onde Benjamim Liberato Barroso é eleito governador e Padre Cícero mais uma vez eleito vice. Vitoriosos, os romeiros retornam a Juazeiro desarmados e desocupam as cidades tomadas durante a sedição.”

Agora, eu: No resumo, dois grupos disputaram o poder: o de Franco Rabello e o de Floro Bartolomeu, que seguia apoiando o Padre Cícero. E Franco Rabello perdeu, assumindo o controle político o Floro Bartolomeu. A minha família, que morava em São Pedro do Caririaçu (hoje apenas Caririaçu), cidade serrana situada acima de Juazeiro do Norte, era toda rabelista, cujo insucesso a condenou ao ostracismo e determinou perseguições por parte dos jagunços contratados pelo Floro Bartolomeu, dentre os quais se incluíam, mais tarde, alguns elementos do bando de Virgulino Lampião, que adentrou no cangaço a partir de 1919. Essa nossa história aconteceu cerca de 1913 e é narrada pelo Tio Mundinho, em seu livro já citado. Um dos cangaceiros, jagunço violento, era José Pinheiro, mau como o diabo pode ser. Naquela ocasião (1914) ele, indo do Crato para Lavras,

Padre Cícero e Floro Bartolomeu (Museu Vivo - Horto, Juazeiro)


“três léguas abaixo de Caririaçu, ribeira do Riacho do Rosário, no Serrote, teve um desentendimento com a mulher que lhe servia de companheira e a enterrou, dizia-se, viva, quase à beira do caminho, um pouco para dentro do mato. Desapareceu. Dias depois, vaqueiros ou caçadores que ali andavam, sentiram mau cheiro e, notando urubus pousados em árvores próximas, para lá se dirigiram, encontrando a sepultura meio aberta e o cadáver já em parte destruído pelos animais. As diligências e investigações levadas a efeito pela polícia conseguiram identificar sem maior tardança o criminoso.


Descoberto seu paradeiro, ele foi preso e recolhido à cadeia de São Pedro (Caririaçu) e enviado depois para a do Crato, por medida de segurança. Meu pai (Clemente Ferreira Borges), a esse tempo, exercia ali, no testemunho de meus familiares, as funções de juiz suplente, leigo. Foi justamente nessa qualidade que se dirigiu ele à cadeia local para conhecer de perto o criminoso, tendo exprobado, na ocasião o facínora pelo seu bárbaro procedimento, matando indefesa mulher, sem motivo justo. Não seria preciso mais para que a fera em forma humana que era José Pinheiro guardasse na memória a atitude de meu pai, aguardando, qual cascavel, o momento azado para um dostorço pessoal.


Jagunços com Floro Bartolomeu (Arquivo Renato Casimiro)


Com a derrota das forças legalistas nos ataques à cidade dos insurretos e a invasão em seguida do Crato e de outras cidades da região pelas hordas desenfreadas, abriram-se as portas das prisões, pondo-se consequentemente, em liberdade, todos os sentenciados que passaram, então, a engrossar as fileiras dos rebeldes. Contava-se nesse número o famigerado José Pinheiro, a quem foi confiada a chefia de um grupo, dada a sua valentia e a energia de que era dotado para o comando dos capangas como ele afeitos à criminalidade."


"A Vila de São Pedro (hoje Caririaçu) amanheceu num claro dia de domingo repleta de cangaceiros sob suas ordens. Precisamente à hora da missa, meu pai, incautamente, dirigia-se para a igreja, quando, ao penetrar na praça, foi chamado pelo truculento chefe que bebia cachaça com seus cabras numa bodega da esquina. Pressentindo que iria ser agredido, respondeu que poderia servir-se na mercearia com seu grupo do que quisesse, que depois da missa pagaria a despesa. Não foi, porém, atendido e a sua presença foi imposta sob ameaça de morte com os rifles apontados em posição de descarga. Disposto ao sacrifício, meu pai penetrou, cabisbaixo, no estabelecimento e fez-se logo em torno dele um círculo de malfeitores, cada qual mais sedento de sangue e de rapina. 


José Pinheiro puxou do bolso um maço de bigodes e disse em rictus de fera satisfeita que aquilo era o troféu, a lembrança que trazia dos chefes rabelistas (partidários de Franco Rabelo, correligionários da minha família) encontrada no caminho de Fortaleza e que os bigodes de meu pai iriam também para ali, dentro em pouco. Começou o martírio. Humilhações, ameaças com exibição de armas, a toda sorte de angústia foi submetido o velho. A certa altura José Pinheiro sacou de um afiado e comprido punhal e ia vibra-lo certeiro, quando meu irmão José de Oliveira Borges interveio corajosa e oportunamente, rogando ao algoz que não matasse o pai, conseguindo assim, demover o monstro no lance extremo de consumar o seu funesto intento. 

Caririaçu, no cariri do Ceará

José Borges tinha a esse tempo cerca de 14 anos de idade mas já era manifesto seu cuidado; e o cangaceiro parece que sentiu aquela autoridade e refugou, naquele momento, aguardando os novos acontecimentos. O Padre Augusto Barbosa de Menezes, vigário daquela freguesia, celebrava, no momento, a missa dominical. Toda a família, em prantos, sentindo iminente a morte do chefe da família querido, corria para a igreja pedindo socorro ao celebrante. Este, sem mais delonga, partiu apressadamente para o local da cena triste, arrancou meu pai das garras do criminoso e o conduziu são e salvo para sua residência, conservando-o ali sob a sua guarda até quando o perigoso bandido abandonou a vila sobressaltada. 

Adversário politico de minha família, chefe local do partido marreta (designação dada a antigo partido político do Ceará), prefeito do município mais de uma vez, e correligionário decidido do Padre Cícero, junto ao qual gozava de absoluta confiança, o Padre Augusto, não obstante, era antes de tudo amigo de seus paroquianos, com a particularidade, no caso, de ser compadre de meu pai, padrinho de batizado que era de minha irmã Rosinha".

"O facínora José Pinheiro pagou caro as atrocidades que praticou. Teve fim trágico, horripilante. Aumentara o seu rosário de crimes matando, em Juazeiro, em pleno dia, Quintino Feitosa, cercando-lhe a casa com seu famigerado grupo de bandidos. Quintino resistiu horas ao nutrido tiroteio, mas, sem mais munição, teve a casa invadida pelo grupo. José Pinheiro abateu-o a punhaladas, decepou-lhe o bigode (seria mais um sinistro troféu), espremeu-o num copo de cachaça e sorveu a bebida asquerosa a longos tragos. 

Alguns anos depois transferiu a residência para o Estado de Alagoas. Lá moravam alguns parentes de Quintino. Localizaram o criminoso, mataram-no e o esfolaram como se fosse um bode. A cena é descrita assim pelo historiador Joaryvar Macedo: 


´Pavorosa e horripilante a morte de Zé Pinheiro, uma das mais temíveis feras que produziram os nossos sertões. Vítimas de sua perversidade crucificaram-no numa catingueira e o esfolaram vivo, em Alagoas´. (In Irineu Pinheiro – O Juazeiro do Padre Cícero e a Revolução de 1914, pág. 145 e o Império do Bacamarte, mesmo autor, pág. 172). “.


Floro Bartolomeu e Padre Cícero

Meus amigos, eu sei que o texto ficou longo, mas eu achei muito interessante essa história contada por uma – digamos – testemunha ocular da história. O Tio Mundinho, com seu estilo todo característico, é sempre uma figura muito bem lembrada por toda a família, como exemplo de pessoa que fez da sua vida o melhor que poderia fazer. Ele era meu tio-avô. E essa passagem serve para ilustrar bem como era a vida no alvorecer do século XX, lá na região de origem da minha família. 

Os fatos da vida, naquela época, eram por demais dramáticos, muitas vezes. Tal era o peso da dramaticidade que minha bisavó, a velha Mãe-Dois, dona Maria Machado, sogra do meu avô, vivia com a memória dos sobressaltos vividos naquela época de política perigosa. Por volta de 1960, vindo do Crato para o Rio de Janeiro a passeio, ela fez questão de ir ao Cemitério de São João Batista, em Botafogo, onde está enterrado aquele Deputado Floro Bartolomeu, braço direito do Padim Ciço, inimigo político de minha família e causa dos terrores por lá vividos pelos meus parentes e disse, na beira do seu túmulo:


´Ah, seu cabra, eu vim ver se você estaria mesmo aí...´ e cuspiu no chão, junto ao túmulo...

José Mauricio Machado Lima

Fonte:http://www.cofamep76.med.br/index.php?pg=artigos2&id=24

O Código de Conduta dos Cangaceiros de Lampião Por: Rangel Alves da Costa


Como é do conhecimento de muitos, Virgulino Lampião não era pessoa completamente analfabeta, um iletrado errante pelas caatingas nordestinas. Pelo contrário. Mesmo não tendo levado adiante com mais afinco seus estudos de meninice na pernambucana Vila Bela, verdade é que havia aprendido a ler e escrever o suficiente.


Muitas de suas cartas e bilhetes, missivas enviadas aos comandantes da polícia e aos coronéis sertanejos, bem como aos amigos com quem mantinha vínculo de proximidade, são por demais conhecidas. Museus e colecionadores guardam tais correspondências como verdadeiras relíquias. E certamente assim podem ser consideradas, verdadeiras preciosidades daquele que foi o maior combatente, o mais estrategista e o melhor comandante de todo o sertão nordestino.


...para Rodolfo Fernandes.

Do mesmo modo, muitas fotografias amareladas mostram Virgulino, sozinho ou ao lado de sua Maria, folheando revistas ou lendo jornais. Numa dessas fotos lê um livro parecendo encadernado; noutra, tendo o seu cachorro de estimação entre Maria e ele, posa com uma revista na mão, até mesmo mostrando um retrato de mulher que estava apreciando; e ainda noutra, também feita por Benjamim Abraão, vê-se dois ou três cangaceiros de olhos voltados para alguns escritos.

Além desse rudimentar conhecimento da escrita e da leitura, certamente o Capitão enriquecimento o seu conhecimento com a própria vivência, no trato com os poderosos, com a experiência dos matutos, e principalmente daqueles que procurava quando precisava tomar uma decisão que fosse mais a respeito da realidade exterior do que do cotidiano cangaceiro. Neste último aspecto, era verdadeiro doutor.

Numa besta comparação, e até desnecessária, se poderia dizer que o conhecimento exterior adquirido pelo Capitão aparentava com a de um certo ex-presidente brasileiro. Rude, com pouco estudo, só possuindo exímia habilidade na estratégia de perseguição política, de maquiavelismos e de querer menosprezar os adversários a todo custo. Só que Lampião não vivia nem falando nem fazendo besteira quanto este, pois o comedimento era uma de suas características mais conhecidas.




Desse modo, Lampião não só sabia ler e escrever como foi adquirindo ao longo de sua caminhada um grande cabedal de conhecimentos. Além de ser mestre em tudo que dissesse respeito a sertão, seus labirintos, perigos, armadilhas, também era perito no conhecimento comportamental das pessoas. Conhecia o inimigo só no ouvir dizer; se lançava o olhar sobre um já sentia se o cabra prestava ou era falso; bastava ouvir alguém dizer alguma coisa para ter certeza do quanto de verdade havia ali.

Mas não ficava apenas nesse conhecimento próprio perante o outro, pois apreciava e muito ouvir as pessoas que confiava e gostava. Muitos se tornaram seus verdadeiros amigos e confidentes, aos quais o Capitão fazia confidências sem parcimônia. E um dos que mais gostava de prosear era o fotógrafo sírio-libanês, radicado nas terras agrestinas, Benjamim Abraão, que passou algum tempo acompanhando as andanças do bando e registrando tudo em fotografia.

Após conhecer Lampião em 1926, no Juazeiro do Norte, pelas bandas do Ceará, na casa paroquial onde estava reservado o famoso encontro entre o rei dos cangaceiros e o poderosíssimo Padre Cícero – homem da igreja, da política e do mosquetão -, Benjamin Abrahão, então servindo como secretário do religioso, logo se mostrou interessado em imortalizar iconograficamente os passos do bando mais famoso de cangaceiros.

Lampião em Juazeiro: Foto de família

Nesse encontro com o Padre Cícero - ocasião em que Lampião recebeu a patente de Capitão num acordo firmado para combater a Coluna Prestes, e que não vingou porque os outros líderes nordestinos se negaram a apoiar o negociado entre o deputado Floro Bartolomeu e o presidente Artur Bernardes -, ao ser fotografado por Benjamim, e vaidoso como era, Lampião chamou-o num canto e perguntou-lhe se não estava disposto a tirar uns retratos de sua cangaceirada, principalmente dele e Maria Bonita.

Diante da pergunta do Capitão, o fotógrafo, num misto de medo e exultação, conseguiu forças para responder que por enquanto não podia abandonar os serviços que prestava ao religioso, mas assim que fosse possível nem pensaria duas vezes. E assim fez quando do falecimento do coronel milagreiro.

Lampião e Benjamim Abraão

Mas ao chegar e ser cordialmente recebido por Lampião, Benjamim Abraão não ficou apenas incumbido de fazer os registros fotográficos, pois pesquisadores asseveram que o mesmo também servia, muitas vezes, como redator daquilo que lhe era mandado também registrar na escrita. Tudo no papel para não ser esquecido. Assim gostava de fazer o Capitão quando o assunto lhe interessava.

E numa bela tarde de sol sertanejo, enquanto o Capitão passava lenço na testa para afastar o suor encardido, olhou em direção ao fotógrafo que organizava seus equipamentos, mandou que pegasse um caderninho e o acompanhasse até uma pedra mais afastada, lajedo grande de onde se avistava uma paisagem seca e crepitante. E foi a partir desse momento que Lampião começou a registrar no papel aquilo que mais tarde passaria a ser conhecido como o Código de Conduta dos Cangaceiros de Lampião. 



“Ninguém do bando deve se espelhar num mal para o mal cometer; ninguém se servirá de uma injustiça cometida para trilhar no caminho injusto. Para se cometer um mal ou uma injustiça, o cangaceiro não seguirá outro exemplo senão aquele que o momento de luta permitir”.

“Qualquer arma que se carregue por cima do corpo não deverá ser usada para amedrontar ou para atirar em qualquer um. O assovio da morte ou da defesa só deve ser dado no momento preciso que o inimigo deseje assoviar o mesmo assovio”.

“Ninguém do sertão é inimigo de cangaceiro; nenhum sertanejo trai a confiança do bando; de lado a outro, o sertão é da mesma família dos que vivem em bando. Por isso mesmo todos devem ser respeitados, defendidos, sempre vistos como família de sangue que corre nas veias”.
“Nem todo som da mata é de bicho, nem todo bicho faz barulho para ser ouvido. No meio da mata não se deve confiar em som algum, muito menos imaginar que um cancão está piando. Qualquer barulho ouvido é bom se preparar para matar passarinho”.



“Que o sono seja pesado para o corpo ficar descansado, mas não tão carregado que não posso ouvir barulho estranho. E ao despertar ligeiro, nem pensar em primeiro olhar para agir, mas buscar proteção já de arma na mão”.

“Quando receber ordem do Capitão, somente ao Capitão deverá obedecer. Quem desconfia no que ouve e procura outra ordem para seguir é porque não é obediente ao comando e precisa dizer a quem deve respeitar”.


“Quem optou seguir pela vida cangaceira deve ter o mato como casa e os companheiros como irmãos. Seus pais são a própria vida, e o seu futuro o destemor. E tudo o que ficou para trás só deve ser olhado de frente, e quando fizer a volta para reencontrar”.

“Com tanto inimigo no encalço, com tanta gente que verdadeiramente deve ser perseguido, jamais um cangaceiro que se honra deverá apontar sua arma ou desferir seu rancor contra um inocente, um desvalido, uma criança ou um idoso. Não se diz que um homem é valente pela maldade que faz, mas pelo mal que evita praticar”.


E por aí vão outras inúmeras lições, regras de conduta e de comportamento cangaceiro. Uns dizem que nada do tal código jamais foi praticado, enquanto outros juram de pé junto que se não fosse o coração justo e bondoso de Lampião o cangaço teria sido uma guerra de um bando contra todo o sertão, indistintamente.


Rangel Alves da Costa - Poeta e cronista
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