Seu Lunga Partiu !


Juazeiro do Norte está de luto. Faleceu na manha de hoje o senhor Joaquim dos Santos Rodrigues... 
mundialmente conhecido por 
"Seu Lunga"...

Joaquim dos Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", morreu às 9h30 da manhã deste sábado, 22, na cidade de Barbalha, no Interior do Ceará. Seu Lunga foi internado na última quarta-feira, 19, por complicações no sistema digestivo. O quadro piorou na sexta-feira, levando ao falecimento do poeta. Seu Lunga tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde tratava de um câncer de esôfago.

De acordo com Demontier Tenório, primo em segundo grau do sucateiro, há cerca de seis meses ele foi submetido a uma cirurgia no esôfago, mas se recuperava bem.
A previsão é que o corpo seja velado na Capela de São Vicente, em Juazeiro no Norte, próximo à sua residência. O sepultamento deve ocorrer no Cemitério do Socorro. Os horários ainda não estão definidos.

Seu Lunga era um poeta, vendedor de sucata e repentista do Juazeiro do Norte, que ganhou notoriedade pelo seu temperamento forte, tornando-se um personagem do folclore nordestino. Seu apelido veio de uma vizinha que lhe chamava de Calunga, devido a sua loja. Com os passar dos anos ficou apenas Lunga.

Fonte:http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2014/11/22/noticiafortaleza,3351903/morre-poeta-e-personagem-cearense-seu-lunga.shtml

Lagoa do Limo ou Lagoa do Lino ? O Cangaço em Mairi-Ba Parte II Por:Vicente Figueiredo


A morte do grupo de Azulão; Maria, Zabelê e Canjica pela Volante de Zé Rufino na Lagoa do Limo, em Mairi, Bahia... Na citação abaixo Nascimento descreve a figura de Maria de Azulão.

                 [...] Maria de Azulão, morena esbelta e vestia a caráter. Trajava roupa para entrar no mato, visto que as mulheres do cangaço usavam dois trajes, um para o mato e outro para a cidade. No reinício das atividades usava roupa nova. Era vestido de mescla acinzentado, cujo comprimento ia a baixo dos joelhos; manga até os punhos, remendadas por galões coloridos. No tórax, à altura dos seios, outros calões enfeitavam o traje da sertaneja, natural de Jacobina Bahia.(Nascimento p 225)

As cabeças foram transportadas em sacos, expostas para fotografia em Mairi e depois seguiram para o Instituto Nina Rodrigues em Salvador. Ainda de acordo com o velho Pedro, próximo do local havia uma roça de mandioca que ficou totalmente arrasada com o tiroteio.

Zabelê, Maria de Azulão, Azulão e Canjica
Sepultadas no Cemitério da Quintas do Lázaro

Segundo meus avós moradores da região foram vistos dois cabras e uma mulher, sobreviventes do conflito passaram próximos a uma fazenda no povoado de Maracujá[1] e seguiram em direção a Senhor do Bonfim. Antes de chegar a Lagoa do Limo, todavia, o bando de Azulão passou pela casa de minha tia avó Joana Ferreira, moradora do Bom Sucesso no município de Mairi, quando este ainda adotava a toponímia de Monte Alegre. De acordo com depoimento de minha avó Vitalina Ferreira Dias, no ano de 1933 um grupo de cangaceiros passou pela casa de sua irmã Joana Ferreira, moradora do Bom Sucesso. De acordo com ela, os “cabras” chegaram à tardinha e foram logo pedindo comida, mas a velha disse que não tinha a “mistura”, no caso o complemento de carne animal (frango, bode, boi, caça, etc). 

Foto atual da casa da Lagoa do Limo
Fonte:http://cangaconabahia.blogspot.com.br

Naquela ocasião passava pelos arredores da casa uma novilha do coronel Manoel Juazeiro[2], os bandoleiros abateram a novilha a rifle e depois que tiraram parte do couro pediram a ela que aprontasse. Contava à velha que eles foram muito gentis com ela, alguns pilheriavam, contavam casos. Foi uma noite muito alegre, a anciã tinha uns tachos grandes de barro nos quais eles ajudaram na preparação da carne e, quando se retiraram pela madrugada lhes deram uma grande soma em dinheiro, mas embora ela nunca revelasse o valor, sabe-se que não foi pouco, porque dona Joana Ferreira pôde adquirir uma propriedade e criar gado com o dinheiro recebido. 

Consta ainda da tradição oral que quando os cangaceiros partiram, o marido dela, temeroso, pediu que ela queimasse imediatamente o dinheiro, porque a volante podia imputar-lhes a acusação de coiteiros, mas dona Joana não se intimidou, ao contrário e espertamente, enterrou o dinheiro e só depois de algum tempo foi usá-lo. Confirmava a minha avó foi esse dinheiro que ela comprou sua própria terra e até gado, já que antes ela morava de agregada nas terras do coronel Manoel Juazeiro, aqui já citado anteriormente. Esse Azulão já citado diversa vezes era o terceiro; o baiano nascido na Várzea da Ema. No Cangaço tinha esta pratica dos indivíduos adotarem o nome dos anteriores, Lampião estrategicamente, ao morrer um cangaceiro, o próximo recrutado levava o nome do antigo e assim ele confundia seus perseguidores.

Vicente Figueiredo, Oleone Fontes e Jornalista Mauricio

Curiosamente no livro “Lampião na Bahia” do escritor e historiador Oleone Coelho Fontes, editado em 1988, o autor comete um equivoco com relação ao nome da fazenda Lagoa do Limo local onde foi abatido o bando de Azulão. A página 314 da obra mencionada, Fontes denomina a Lagoa do Limo como Lagoa do Lino, entretanto, ao conversarmos com o próprio escritor ele admitiu o equivoco cometido, mas podemos perceber que permanece uma grande lacuna na historiografia brasileira, pois a maioria dos historiadores e escritores que produzem sobre o cangaço não se aprofunda em suas pesquisas e nem faz uma análise historiográfica crítica, algo que não se aplica a Oleone Coelho, porquanto, muito embora não seja um autor que se ocupe da interpretação dos fatos históricos, cuida com zelo de pesquisar e levantar fontes, notadamente as fontes orais, as quais concede espaço generoso em seus trabalhos. 


Vicente Figueiredo, Isabel Queiroz, Manoel Neto e Antonio Olavo

O historiador e estudioso do assunto Manoel Neto, tem um analise pertinente sobre isso, segundo Neto " o sujeito lê um livro, mas escreve dois, sem pelos menos fazer um estudo profundo da temática". O episodio da Lagoa do Limo é bom exemplo disso. Ao longo dos meus estudos sobre o cangaço tenho percebido que grande parte dos pesquisadores, historiadores e escritores repetem-se incidindo no erro cometido por Coelho Fontes. A citação abaixo se refere ao combate da Fazenda Lagoa do Limo em 1933. Oleone escreveu: e Jaynes Billy Chandler, em seu livro “Lampião, o Rei dos Cangaceiros[3], como também, Frederico Pernambucano de Mello, em “Guerreiros do Sol[4]”, engrossa essa a lista que foi crescendo.

                   [...] Mais homens de Lampião iriam tombar, no mês seguinte, no dia 19 na fazenda Lagoa do Lino (grifo nosso), município de Monte Alegre (hoje Mairí). Naquele mês havia seguido para a zona de Mundo Novo e Monte Alegre 3 volantes, pois corriam rumores de que Azulão e 5 cangaceiros operavam naquelas bandas. Quando os policiais chegaram à fazenda onde, segundo declarara o informante, se achavam alojados os bandidos, encontraram apenas 1 mulher que disse não ter conhecimento do paradeiro deles. Duas meninas se aproximavam da casa, interrogadas, informaram que alguns homens estavam bem ali pertinho se alimentando. A policia, cercada dos devidos cuidados, aproximou-se e abriu fogo, conseguindo ferir gravemente 4 dos 6 bandidos, numa luta que durou mais de 15 minutos. Em seguida, a volante acabou de matar os feridos, decapitando-os. As cabeças, depois de expostas em Monte Alegre, foram levadas para Salvador e mostradas no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues, para uma multidão de curiosos. (FONTES, P. 314)

A Lagoa do Limo nunca foi do Lino, isso é um erro factual, pois ela sempre se chamou Lagoa do Limo. Quem costumava dar essas denominações às lagoas eram os vaqueiros, como pontos de encontros na caatinga, já que naquela época o gado vivia solto, não existindo cercas. O processo de cercamento em grande parte do sertão nordestino só se daria à partir da década de 1950, mas até hoje existem algumas regiões que o gado vive solto na caatinga, como por exemplo, na região de Jaguarari no sertão baiano. De acordo como meus avós, moradores de região, a Lagoa tinha esse nome porque era uma lagoa muito funda e quando chegava à época das chuvas de trovoadas ela enchia e passava um longo período de cheia, produzindo em decorrência um grosso limo por cima da água, daí o nome Lagoa do Limo.

Professor Vicente Figueiredo
Historiador - Salvador - Ba - Centro de Estudos Euclydes da Cunha / UNEB

FONTES CONSULTADAS
BIBLIOGRÁFICAS
CASCUDO, Câmara Luís da. Viajando o sertão. 4º Ed. Editora global. São Paulo 2009.CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião reis dos cangaceiros. Rio de janeiro:paz e terra 1981.FONTES, Oleone Coelho. Lampião na Bahia. Petrópolis: vozes, 2008.LINS, Wilson. O médio são Francisco: uma sociedade de pastores guerreiros. 3º Ed. Editora nacional. São Paulo-1983.MELLO, Frederico Pernambucano. Guerreiros do sol: o banditismo no nordeste do Brasil. Ed. A Girafa. São Paulo, 2004. NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. -são Paulo: Editora Ícone, 1998. PERICÁS, Luiz Bernardo. Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica. Editorial Boitempo São Paulo-2010.VILLA, Marco Antonio. Vida e morte no sertão: história das secas no nordeste nos XIX e XX. São Paulo: editora Ática-2001. 
IMPRESSAS;
1º. Um aspecto dos flagelados em jacobina, Estado da Bahia, terça-feira, 14 de março de 1933, p. 1º.
2º. Êxodo dos sertanejos, Estado da Bahia, sábado 21 de janeiro de 1933, p. 1º.
3º. O celebre vampiro Dusseldolf, Diário da Bahia, sexta-feira 25 de abril de 1933, p. 3º.
4º. REVISTA, Memória da Bahia, o ciclo do cangaço, editada pela universidade católica de Salvador, com grandes matérias do Correio da Bahia. Salvador, 2002, p 20 a 26.

ORAIS: 5º. Depoimento de minha avó Vitalina Ferreira Dias, de 82 anos. Depoimento de meu tio Pedro Lopes, em dezembro de 2011.
6º. A narrativa do meu pai Osvaldo Lopes de Silva em dezembro de 2005.
ELETRÔNICAS;http://www.cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php? lang=&codmun=292010&search=bahia%7Cmairi%7Cinfograficos:-dados-gerais-do-municipio.


[1] Povoado pertencente ao município de Serrolândia, cidade do semiárido baiano.
[2] Poderoso fazendeiro e latifundiário domiciliado naquela zona.
[3] CHANDLER, Billy Jaynes. Lampião reis dos cangaceiros. Rio de janeiro:paz e terra 1981.
[4] MELLO, Frederico Pernambucano. Guerreiros do sol: o banditismo no nordeste do Brasil. Ed. A Girafa. São Paulo, 2004, P. 418, (legenda fotográfica)

Cavalgada de Serra Grande Por:Rostand Medeiros

Rostand Medeiros na Cavalgada de Serra Grande

Este fim de semana estive no Pajeú com o amigo Luiz Dutra. Lá estivemos juntos dos muitos amigos que lá, tive o privilégio de conhecer. Pessoas maravilhosas que lutam e valorizam a história nordestina e a nossa cultura. O empresário Francisco Mourato organizou e realizou com vários amigos a Cavalgada da Serra Grande, onde um grupo de 40 cavaleiros trilharam os antigos caminhos dos almocreves e passaram pelo cenário do maior combate da história do cangaço. 

A cavalgada encerrou na Fazenda Barreiros, do nosso amigo Álvaro Severo onde os cavaleiros assistiram uma corrida dos tradicionais vaqueiros pela caatinga e provaram do interessante e gostoso “bode enterrado”, um prato antigo, utilizado pelos cangaceiros do grupo de Lampião. 

Para mim é uma satisfação desfrutar da amizade e da extrema receptividade dos amigos da região do Pajeú Pernambucano. Melhor ainda é podemos trabalhar juntos em prol da nossa história e nossa cultura, pois nesta luta somos todos NORDESTINOS. Um grande e forte abraço a Zel Ferraz, Patrícia Noia da Silva, Patrícia Cruz e ao amigo André Vasconcelos, responsável por me apresentar as maravilhas do Pajeú. A reportagem que segue mostra um pouco do que foi esta interessante cavalgada.

TV JORNAL MEIO-DIA - Cavalgada de Serra Grande 
é reaberta após 30 anos

Font: Youtube

Rostand Medeiros, pesquisador e escritor
Natal, Rio Grande do Norte

O Cangaço na Literatura; de Robério Santos Por:Manoel Severo

A arte das cabeças cortadas de Caribé

O Cangaço na Literatura é um projeto do confrade Robério Santos, sergupano de Itabaiana e que tem como objetivo apresentar ao grande público os principais cenários da historiografia do cangaço. Segundo Robério será "um programa que nos levará até locais que a maioria apenas lê em livros ou nem sabia de sua existência no universo do Cangaço."

Os episódios do Programa serão baseados em uma obra literária com o cuidado de no final apresentar uma outra indicação de leitura. Trata-se de um projeto independente e sem fins lucrativos, o mesmo é apresentado por Robério Santos e filmado por Thayane Matos. O primeiro episódio é sobre as cabeças dos cangaceiros após a chacina do Angico. Vejam o primeiro episódio de O Cangaço na Literatura:

O Cangaço na Literatura - Cabeças Cortadas
Tem boi no pasto....

Fonte: Youtube

Manoel Severo - Curador do Cariri Cangaço

O Grande Combate de Serra Grande Parte 1 Por:Manoel Severo

Louro Teles, João de Sousa Lima, Manoel Severo e Afrânio Gomes; no Cariri Cangaço

Serra Grande sem dúvidas é um dos episódios mais marcantes de todo o ciclo do cangaço nordestino, o combate épico, que envolveu mais de 400 atores, entre volantes e cangaceiros, entrou para a história como o maior embate de todo o cangaço. A Serra Grande abrange os municípios de Calumbi, Flores e Serra Talhada, mas tem o cenário do combate localizado no atual município de Calumbi, antigamente pertencente a Flores. E é em Calumbi que vamos encontrar mais um valoroso vaqueiro e rastejador da história: Lourinaldo Teles.

Pesquisador zeloso e dedicado, o conhecido "Louro Teles" vem ao longo de sua vida se debruçado principalmente sobre os principais combates do cangaço, dentre eles: Serra Grande e Serrote Preto. Convidamos a todos a acompanhar a primeira parte da empreitada de Louro Teles e entender melhor esse que foi o maior combate do cangaço: O combate da Serra Grande.

"Lampião preparou a emboscada de Serra Grande cerca de 30 dias antes do combate..."


Louro Teles na Serra Grande

Em breve a segunda parte !!!

Fonte do Vídeo: Youtube

Vem aí a FLIBO


A Feira Literária de Boqueirão - FLIBO é realizada pela ABES  -Associação Boqueirãoense de Escritores, é um evento anual que conta com o apoio do poder público, universidades, instituições culturais, empresas privadas e ainda núcleos e academias literárias. Contempla vários segmentos culturais, tais como: música, teatro e especialmente a LITERATURA; agita o setor turístico, como hotéis e pousadas, além de bares e restaurantes, durante os três dias de evento.

Na sua quinta edição, o evento prima pela periodicidade e pelo compromisso de envolver a comunidade do município de Boqueirão e de cidades circunvizinhas, através de projetos realizados com as escolas durante todo o ano letivo, começando em março e culminando em novembro, quando da realização da 5º FLIBO, no projeto "Minha Escola na Flibo".

A 5ª Flibo terá como atividades principais: palestras, oficinas, mini-cursos, bate-papo com autores, Saraus, lançamentos literários, contações de estórias, teatro de fantoches, "de repente, poesia" e ainda MPB na Praça, além de, é claro, muita POESIA!


Venha, participe!
http://flibopb.blogspot.com.br/

Nota Cariri Cangaço: A Flibo acontece no município de Bouqueirão, região metropolutana de Campina Grande em nosso querida Paraíba.

Crônica para Luitgarde... Por: Renato Casimiro


 
Renato Casimiro, Manoel Severo e Luitgarde Barros

Boa Tarde para Você, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros. Como a 43 anos já passados e vividos, será muito prazeroso, logo mais, abraçá-la neste reencontro durante a abertura do IV Simpósio Internacional sobre Padre Cícero, aqui no Memorial.Será inevitável, Luitgarde, que me ocorram velhas lembranças desde aquele dia, numa manhã ensolarada de domingo, na residência de Mons. Azarias Sobreira, em Fortaleza, quando dele recebi a incumbência para protegê-la e facilitar-lhe a vida nas pesquisas a caminho do Juazeiro.


O que foi possível fazer desde então, varou este novo século, carregando para a atualidade uma maravilhosa vivência de nossas famílias, de tantas outras famílias deste Cariri, em torno da memória e das histórias destas nossas terras.Pena que o tempo abateu do nosso convívio um grupo numeroso de gente maravilhosa que fazia este relacionamento, velhas e amadas criaturas, guardiãs da tradição e de afetos que marcaram definitivamente os nossos trajetos curiosos.


Agora você está de volta, aos apelos intransferíveis dos que partilharam grandes emoções, trabalhos e reflexões acadêmicas, para revisitar os caminhos antigos. E aí, jagunça? (para lembrar-lhe o apelido posto e merecido, do seu velho colega docente de faculdade, Darci Ribeiro), que ânimo ainda lhe traz a esta santa terra do Tabuleiro Grande, em busca dos caminhos de nosso Patriarca?

Padre Roserlânido, Luitgarde Barros e Aderbal Nogueira



No começo de 1971, Luit, você era uma estudante na UFRJ e depois na PUC de São Paulo, e chegou aqui para realizar a pesquisa que redundaria no belíssimo A Terra da Mãe de Deus, sua dissertação de mestrado, depois tornada livro de leitura e menção obrigatórias a quem desejasse continuar-lhe a missão. Fazia pouco, mas você havia deixado a Fisioterapia, graduação anterior pela Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro, em 1966, para se tornar antropóloga, licenciando-se e bacharelando-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1968. 


Daí por diante, foi o que vimos e pelo qual tanto vibramos: Doutorado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em 1980; Pós-Doutorado em Antropologia pela UNICAMP, em 1999 e, de novo, outro Pós Doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ, em 2008. Invejo-a, Luite, por vê-la sempre com tanto gás, agora, depois da aposentadoria na UFRJ, novamente professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tanto em graduação quanto em pós-graduação, porque não é fácil, e seria temeroso, dispensar a sua larga experiência na área de Antropologia, com ênfase nos temas de pensamento social brasileiro, movimentos sociais, catolicismo popular, antropologia política, antropologia da violência, antropologia da literatura, memória e história oral. 


Tenho num canto especial da biblioteca aqui de casa, com grande afeição, o ajuntamento magnífico das leituras de quase tudo o que você produziu nestes anos em livros sobre Padre Cícero, Arthur Ramos, Lampião, Nelson Werneck Sodré, Octávio Brandão, Nise da Silveira, Guerra-Peixe e a memória e a história oral dos bairros portuários do Rio de Janeiro, bem como uma boa parte da mais de uma centena de capítulos de livros e artigos em periódicos e jornais, no Brasil e no exterior.


Aí eu a encontro, firme, ereta, digna e competente para transitar leve e solta por conteúdos tão apaixonantes. Aí eu a encontro irredutível nas suas convicções, a não fazer concessões fáceis e a interpretações simplórias que nos ajudam a compreender esta realidade que ainda nos cerca, por exemplo, no contexto da grande nação romeira.


Seja bem vinda a esta sua terra, professora Luitgarde Barros, você que é cidadã juazeirense de tantos méritos. Méritos estes lembrados por serviços continuados de permanente atenção a tantos quantos que se socorreram da sua competência em todos estes anos.

Renato Casimiro, Juazeiro do Norte
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 17.11.2014)

Talento e Sertão, uma mistura sensacional ! Por: Manoel Severo

Casarão de Patos em São José de Princesa : Patos de Irerê

O nome de nosso querido "Sertão" teve origem em épocas de nossa colonização. Os portugueses no período das entradas e bandeiras, quando desbravavam o interior de nosso Brasil a partir do litoral do querido nordeste,  percebendo a absurda diferença climática típica do semiárido; quente e seco; começaram a chamar de "desertão". Logo, essa denominação foi sendo entendida como "de sertão", desaguando em "Sertão".
Na verdade o sertão é o nosso habitat, nosso chão... nossa pátria ! Aqui vivem homens e mulheres apaixonados pelo seu lugar, acostumados com a dureza da vida e dispostos, sempre, a vencer desafios.


Neste começo de novembro nosso estimado confrade, companheiro e amigo, pesquisador e escritor Rostand Medeiros esteve ao lado de Álvaro Severo e Francisco Mourato, recepcionando a equipe da TV Brasil na produção de mais um sensacional documentário sobre esse Espetacular Sertão.
O cenário das filmagens foi o vale do Pajeú, no município de Serra Talhada e depois a maravilhosa serra que divide os estados de Pernambuco e Paraíba, desaguando no município de Princesa Isabel e São José de Princesa.

 Rostand Medeiros e a equipe "sertaneja" da Tv Brasil...

Já vai longe o tempo dos primeiros processos de interiorização de nosso país e de nosso sertão; os séculos XVI e XVII ficaram para trás, mas até hoje esse torrão de "mata branca" que só existe aqui , nos surpreende e encanta; foi esse encantamento que fez com que Bianca Vasconcellos, Alexandre Nascimento, Eduardo Domingues e Célio Rodrigues, da equipe da TV  Brasil saíssem daqui apaixonados...

Estradas, veredas, cercas e porteiras; muito gado: bode, cabra, boi, vaca. Tatus, Nhambus e quantos mais desejaram participar... Os vaqueiros da história se encontrando com os vaqueiros de gibão, "guerreiros do sol", com a devida permissão de Frederico Pernambucano; a cada minuto um novo cenário, uma nova emoção, um novo sertão descortinado para o Brasil inteiro conhecer.


 Esse Sertão maravilhoso e a bela casa de Pedra em Serra Talhada

Todas as histórias e lendas, dos matutos aos letrados, esse sertãozão de Nosso Senhor, tem muita coisa pra mostrar ! Rostand Medeiros, Alvaro Severo e Francisco Mourado que o digam... Só para ilustrar o quão grande é o nosso amor pelo nordeste e por esse chão. As visitas foram a Serra Talhada em Pernambuco; Princesa, São José de Princesa e Manaíra, na Paraíba.


 ...a cada minuto um novo cenário, uma nova emoção, um novo sertão descortinado para o Brasil inteiro conhecer

Em Serra Talhada, a velha Casa de Pedra , primeira edificação da região, remanescentes dos colonizadores; em Princesa e Patos de Irerê, a tradição do mandonismo próprio da época da velha república e dos grandes coronéis com a espetacular "Revolta de Princesa"; o Solar de Zé Pereira e o Casarão de Patos, consolidam a presença nordestina, firme na história do Brasil. 



O que dizer mais ? Nada mais a dizer, a não ser, abraçar aos amigos desbravadores e apaixonados pelo sertão como nós; Rostand Medeiros, Augusto Severo e Mourato. Aos que chegam para filmar e ficar; Bianca Vasconcellos, Alexandre, Eduardo e Célio Rodrigues: Se abanquem, se avexe não... tudo está só começando !

Costumo dizer que somos brasileiros, cidadãos de todos os estados, pernambucanos, baianos, paraibanos, cearenses...enfim, mas nossa verdadeira pátria chama-se Sertão.
Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
Fotos:Álvaro Severo e Bianca Vasconcellos

Cangaço em Debate: GPEC na Tv Câmara


Nesta última semana tivemos a grata oportunidade de acompanhar a lúcida e responsável entrevista dos confrades, pesquisadores do cangaço, membros do Cariri Cangaço e do GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço; Narciso Dias e Jorge Remígio, à Tv Câmara, da capital João Pessoa. 


Vale a pena conferir na íntegra...



Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=5d3dIBSDLpU&list=UUyqHJyftZwZ-JN982EYM32A&feature=share

Sedição de Juazeiro Por:Jonasluis DA SILVA de Icapuí

Jonasluis de Icapuí, Manoel Severo e Aderbal Nogueira

Em 2011 o Cariri Cangaço promoveu o lançamento em primeira mão do primeiro capítulo da minissérie 
Sedição de Juazeiro. Para um platéia seleta de pesquisadores e historiadores de todo o Brasil; Jonasluis,da Silva de Icapuí, Manoel Severo, Aderbal Nogueira, Renato Dantas, Daniel Walker e Renato Casimiro formaram no palco,
do Teatro do SESC 
o rol de pesquisadores convidados 
para o Debate sobre a espetacular obra
Sensacional !

Veja na íntegra a minissérie
Sedição de Juazeiro



Sedição de Juazeiro é uma minissérie brasileira produzida para a rede pública de televisão cearense, dividida em 4 capítulos, do gênero guerra, baseada no confronto ocorrido em 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal, e lançada no dia 22 de Agosto de 2012 no Cine-Teatro João Frederico Ferreira Gomes, anexo II da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará.

Aprovada pela CEIC, Comissão Estadual de Incentivo à Cultura, através do I Edital Mecenas do Ceará 2008, foi produzida pelas produtoras JLS Comunicação e Editora e Laser Vídeo em parceria com a APEC, Associação de Estudos e Pesquisa Técnico-Científica, entidade sem fins lucrativos, ligada à Faculdade Integrada da Grande Fortaleza.

Sinopse: Na segunda década do século XX, declara-se uma dualidade de poderes legislativos no Estado do Ceará. Tropas são enviadas de Fortaleza pelo governador Franco Rabelo para Juazeiro do Norte. Padre Cícero, Floro Bartolomeu e seus soldados esperam o ataque. O governo central decreta a intervenção federal no Ceará. Trinfa a Sedição de Juazeiro, a guerra de 1914.

Elenco: Magno Carvalho, Ary Sherlock, Alcântara Costa, Angelim de Icó, Aldo Anísio, Fernando Cattony, Enrique Patrícius, Jean Nogueira e grande elenco.
Direção: Daniel Abreu
Roteiro: JonasLuis DA SILVA, de Icapuí
Produção: Daniel Abreu e Jeanne Feijão
Produção Executiva: Ângela Tavares, 
José Liberato Barrozo Filho e Marina Abifadel

Fonte:https://www.youtube.com/watch?v=GvhBH7AL8nQ

Lagoa do Limo ou Lagoa do Lino ? O Cangaço em Mairi-Ba Parte I Por:Vicente Figueiredo


O cangaço é um fenômeno resultante dos conflitos rurais entre famílias poderosas, da desigualdade social, e da ausência do poder publico, especialmente no sertão nordestino. Segundo o historiador paulista Marco Antônio Villa[1], durante as grandes secas que ocorreram na região, os poucos recursos que o governo federal enviava para a sobrevivência dos flagelados eram na grande maioria desviados pelas autoridades regionais. Não é difícil imaginar as arbitrariedades cometidas pelos mandões locais, os senhores do "baraço" e do "cutelo".

Virgolino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, entre as décadas de 1920 e 1930 do século XX, foi o bandido mais notório do Brasil. Nascido em uma pequena vila pernambucana, à época Vila Bela, hoje Serra Talhada, no ano de 1898, numa família de remediadas posses. Em suas andanças percorreu sete estados nordestinos e ficou quase 20 anos no cangaço como sua principal liderança. Extremamente estrategista inovou o cangaço adotando uma nova estética e dividindo seu bando em vários subgrupos, para os quais indicou como chefes diversos companheiros entre àqueles que se destacaram pela lealdade, valentia e espírito de comando, sendo mais conhecidos Corisco, Zé Baiano, Zé Sereno, Labareda, Gato, Mariano, Azulão e outros mais (2).


Esses grupos operavam diferentes áreas de vários estados, método que usavam para confundir e despistar seus perseguidores, especialmente as polícias estaduais, as denominadas volantes[3]. Com a morte de Virgulino Ferreira e grande parte do seu bando em 28 de julho de 1938, o cangaço perdeu sua força, não só pelas crescentes baixas e destroçamento dos bandos, como também, em razão do isolamento decorrente de uma nova política oficial, concebida como modelo para o Estado Novo que incluía a imagem de modernidade e desenvolvimentismo, incompatível como grupos marginais como os cangaceiros, representações da incivilidade e atraso, mazelas sociais que precisavam ser erradicadas. 

Os poucos sobreviventes, sucumbiram a repressão violenta, optando pela rendição ou dizimados pelas forças militares, as conhecidas volantes, como foi de Corisco, morto em 25 de maio de 1940, pelas mãos do José Rufino – aquele mesmo que queria “passar de pato a ganso” – como afirmara Lampião, em Brotas de Macaúbas, em território baiano. Antes, contudo, nas muitas escaramuças com a polícia baiana, outros grupos sucumbiram, a exemplo do que ocorreu com Azulão e seus companheiros abatidos no ano de 1933, na fazenda Lagoa do Limo município de Monte Alegre, atualmente Mairí [4].

Município de Mairi, Bahia

Segunda a narrativa oral dos meus avôs, antes de chegar a Lagoa do Limo, Azulão e seu bando deixaram rastros de sangue na região. Na mesma semana em que foram mortos passaram pela Fazenda Morrinhos, de Zezé Almeida, localizada entre os municípios de Várzea da Roça e Mairi, ocasião na qual os bandidos assaltaram a casa e assassinaram o vaqueiro, o proprietário e o seu filho. Os prisioneiros foram levados para varanda, local em que um dos cangaceiros golpeou o rosto do fazendeiro com o rifle e indagou onde havia escondido o dinheiro. Enquanto isso os demais vasculhavam a casa em busca de jóias e ouro, Zezé ainda sem entender o que ocorria interrogou o que estava acontecendo, recebendo como resposta um tiro fatal.

Zabelê revirou os bolsos do morto encontrando um conto de réis, quantia que repassou para o Chefe.  O filho de Zezé correu para socorrer o pai, porém, foi executado a tiros por Canjica; Maria, companheira de Azulão, soltou o vaqueiro e ordenou que ele fosse preparar a comida, que ao se recusar obedecer a cangaceira foi atingido com um tiro nas costas, Azulão ainda o apunhalou na clavicular, como se sangra um boi e ato contínuo a cangaceira impressionada com a quantidade de sangue que brotava do cadáver, benzeu-se e, toda arrepiada disse: 

“Nóis tomo cortado[5]”!! 

Segundo tio Manezinho, o sangue dos corpos corria pelo terreiro da fazenda. Depois da chacina seguiram tranquilamente como se nada houvesse acontecido. No final da tarde chegaram a Fazenda Carrancuda que ficava cerca de três léguas dali, na chegada observaram os arredores da casa para terem a convicção que não havia alguma volante por perto.  Logo depois cercaram a moradia de João da Carrancuda a procura de dinheiro e jóias, mas o fazendeiro nada tinha para oferecer, sendo então espancado violentamente e as suas filhas só não foram estupradas porque a cangaceira  Maria, companheira de Azulão, intercedeu. 


De acordo como o depoimento do meu tio avô Manoel Ferreira Dias, mais conhecido como Manezinho, na passagem do grupo de Azulão na região da Várzea da Roça eles também surraram uma curandeira, surgindo daí uma história segundo a qual, essa mulher teria feito um “trabalho” para deixa-los “bobados[6]”, circulando sem poder sair dessa região da Lagoa do Limo e facilitando assim a ação das seus perseguidores. Importante destacar que a prática de curandeirismo[7] no Sertão é a mistura do candomblé africano com elementos da cultura indígena, o conhecido Candomblé de Caboclo, por isso que as casas de candomblés são chamadas de casas de curadores, diferente do candomblé de matriz puramente africana que conhecemos em Salvador e Recôncavo baiano.

Sobre este fato ouvi do meu tio Pedro Lopes, morador do Bom Sucesso, povoado daquele município, dizer que no ano de 1933 uma volante oriunda de Jeremoabo e integrada com a Força[8] do sargento José Fernandes de Mundo Novo - ambas cidades sediadas na Bahia - e sob a chefia do Tenente José Rufino passou pela região em busca dos cangaceiros que estavam escondidos naquelas localidades. Segundo ele as volantes seguiam em direção da Fazenda Lagoa do Limo, pois já tinha informação onde os “cabras” estavam acoitados[9]. Os bandidos chegaram à noite, Azulão gritou o coiteiro Zeca das Batatas para prepara a comida, Zeca abriu a janela lentamente e depois foi a porta com um candeeiro na mão, dizendo para os cangaceiros entrasse logo, no interior da casa o dono avisou que era melhor irem se arranchar no mato próximo da roça de mandioca. Advertiu que ali estava infestado de “macacos[10]”. 


Volante do Tenente Zé Rufino, em pé à esquerda

Quase todos os dias passa uma Volante por essas bandas. Com essa informação Azulão colocou o cangaceiro Canjica de vigia na frente da casa, enquanto os demais jantavam. Quando os militares chegaram à fazenda onde os bandidos se alojavam encontraram uma mulher a quem interrogaram sobre o paradeiro do bando, a qual afirmou nada saber, não tendo mesmo visto nenhum cangaceiro na região. O comandante estava muito desconfiado da resposta, já que rastos de alpercatas marcavam o solo dando evidencia de muita gente no terreiro da casa, quando naquele momento chegava um garoto do mato, filho da mulher interrogada, com uma cabaça onde havia transportado água, sendo que neste instante um dos chefes das volantes indagou ao menino de onde ele vinha, momento em que a mãe do garoto começou a chorar temendo que os soldados lhes matassem. 

O menino, igualmente assustado, então contou ter levado água para alguns trabalhadores e pressionado pelos policiais, os levou até onde estavam os supostos trabalhadores. Feita a aproximação cautelosa do local o Tenente orientou que o garoto apontasse o esconderijo e voltasse abaixado, e deu sinal para que os soldados se espalhassem e tomasse suas posições de combate. Cumprida a determinação, quando os sitiantes aproximavam-se do coito um dos integrantes pisou em um galho seco que estalou chamando atenção dos “cabras”, que estavam no maior folgar comendo ovos cozidos com batata doce e tomando café. 


Cabeças de Zabelê, Maria, Azulão e Canjica

O tiroteio foi rápido e fulminante não havendo tempo para os cangaceiros sacarem as armas, o resultado final foi à morte de três homens e uma mulher, enquanto outros dois conseguiram escapar. Zabelê e Maria Dórea, ou Maria de Azulão como também era conhecida tombaram mortos, Arvoredo e Calais escaparam pela caatinga, Azulão e Canjica caíram baleados. Segundo o escritor José Anderson Nascimento[11], alguns bandoleiros foram decapitados ainda com vida, “Canjica, malferido, implorava-lhes (aos militares, grifo nosso) que não cortasse o pescoço, mas as suas súplicas não foram ouvidas. Azulão diante da aproximação do verdugo grunhiu: "Morri como homem cabra!"  

Após o ritual macabro, os militares vasculharam os bolsos, bornais e chapéus dos cangaceiros, só foi encontrado um canto de réis no bolso de Azulão. Arrancaram os anéis dos dedos do cadáver de Maria e um deles apanhou o trancelim[12] de ouro, embebido de sangue e areia, o qual antes ornava o pescoço da cangaceira”.

Continua...
Vicente Figueiredo
Historiador, Salvador - BA



[1]  VILLA, Marco Antônio. Vida e morte no sertão: história das secas no nordeste nos XIX e XX. São Paulo: editora Ática-2001, p. 190, 192.
[2] Podemos citar ainda Português, Arvoredo, Pancada, Canário, Moita Brava e Moreno.
[3] As volantes eram grupos militares mantidos pelo Estado. Seus membros eram nativos recrutados que conhecia bem a região, para combater o cangaço.
[4] Situado em antiga região aurífera, próxima a cidade de Jacobina, a vila de Monte Alegre passou a chamar-se Mairi, por força do Decreto-lei Estadual nº 141, de 31-12-1943, retificado pelo Decreto Estadual nº 12978, de 01-06-1944.
[5] Cortado as proteções do corpo fechado, na qual os cangaceiros acreditavam.
[6] Bobados derivado de bobo. Expressão de uso corrente entre os sertanejos.
[7] Prática de rezas e curas usadas no interior do Brasil. Sugerimos consulta a medicina popular do Brasil.
[8] Denominação que os sertanejos davam as volantes, aos grupos policiais.
[9] Derivado de coito, ou seja, esconderijo.
[10] Denominação pejorativa que os cangaceiros davam os policiais.
[11] NASCIMENTO, José Anderson. Cangaceiros, coiteiros e volantes. -são Paulo: Editora Ícone, 1998,  P. 228.
[12] Cordão delgado de ouro usado principalmente pelas mulheres