O Estrategista Virgulino Por:Clerisvaldo Chagas

Em foto de 1936, Lampião cumprimenta Benjamim Abrahão

Tirando a banda podre do monstro Lampião, encontram-se méritos inquestionáveis nas estratégias guerrilheiras a que se dedicou. Vivia, entretanto, o bandido no perde-ganha. Suas técnicas de esconde-esconde quase sempre eram descobertas por exímios rastejadores filhos do mesmo mato e das agruras sertanejas. São várias modalidades de ataques, retiradas e demais estratagemas urdidos e amplamente divulgados.

A última estratégia de Virgolino foi também a sua última viagem, definida com a impressionante pena do padre Frederico Bezerra Maciel. Era o dia 20 de julho de 1938, quando o bandoleiro resolveu dirigir-se à fazenda Angicos, na beira do São Francisco, lado sergipano. Ali havia uma grota que serviria de esconderijo, além de estar situada em terras de coiteiros da sua confiança. Lampião estava no lado alagoano, afastado do rio na fazenda e serra São Francisco. Caso saísse para a fazenda Angicos com fácil chegada pela frente, poderia ser visto por espiões e delatores. Procurou, então, atingir o mesmo ponto, em longo rodeio, com entrada pelos fundos.



Assim, descendo a serra São Francisco diretamente para o rio, foi cruzando as fazendas: Conceição, Bom Jardim, Bela Vista, Bardão até chegar diante do Rio da Unidade Nacional no lugar chamado Bonito, muito abaixo do povoado Entremontes, já à tardinha, onde foi bem recebido.

Ao anoitecer, entre frio intenso e chuva, Virgolino atravessa para Sergipe, direto, e aporta no lugar Capoeira Nova. Dali vai subindo, margeando e se afastando do Velho Chico passando pelas fazendas: Macaba, Bebedouro, São João, Jacaré, Cajueiro, Lajeiro, Paraíso e Logradouro. Em Logradouro é acolhido, devidamente alimentado e agasalhado pelo coiteiro da fazenda, volta à direita em direção ao rio e entra na fazenda Angicos, pelos fundos, indo a procura da grota onde chega ao amanhecer e faz seu acampamento. Quem navegasse pelo rio São Francisco, não o avistaria, pois, estava por trás de dois morros, dentro de um riacho seco, cuja curvatura impedia a visão dos curiosos. Dia 21 de julho de 1938.

Essa foi a última viagem e estratégia de Lampião. Como ninguém está em lugar seguro quando a morte o procura, Lampião desencarnou sete dias depois.

Clerisvaldo Chagas.
Fonte:Fonte: http://clerisvaldobchagas.blogspot.com.br/


O Guerreiro que corria atrás do vento Por: Raul Meneleu Mascarenha

Lampião cumprimenta Benjamim Abrahão em foto de 1936

Alguns historiadores em suas dissertações a respeito de Virgulino Ferreira, O Lampião, procuram mostrar que ele não era um guerrilheiro enquanto pensamento político e têm razão, pois se tornou cangaceiro pelas circunstâncias de rixas familiares e não por política partidária e alguns chegam a afirmar a maldade dele já estava no sangue desde jovem. O que quero demostrar aqui, é que ele poderia até não ser um militante político que partiu para a luta armada, mas que era um guerrilheiro estrategista de primeira, ninguém pode duvidar.

Chegou até mesmo a ser reconhecido por um oficial combatente seu, onde desde a primeira batalha entre os dois, narrada por Frederico Bezerra Maciel em sua sextologia ‘Lampião, Seu Tempo e Reinado’ no segundo livro ‘A Guerra de Guerrilhas’ onde o Tenente José Lucena e Lampião ficaram temendo-se mutuamente . 


Lampião, segundo da esquerda para a direita, de quem olha. foto de 1922


De sua parte José Lucena temendo  e receando a sagacidade de Lampião e da parte do temível cangaceiro, respeitando a força do Tenente pelo poderio bélico  e também sagacidade, pois nunca andava fora das estradas reais, usando dessa tática para não aventurar-se ‘no mato’, território do cangaço. O relato abaixo se encontra no referido livro e dará a você leitor, uma visão das estratégias do Rei do Cangaço em batalha real com seu grande inimigo, José Lucena. Vamos visitar a história, lendo o relato:
ISCAS DE FOGO PARA LUCENA...

"Acompanhado de seus irmãos Antônio e Livino, deixou Lampião, mais uma vez, a sepultura de sua estremecida mãe, no cemitério de Santa Cruz do Deserto. Com lágrimas nos olhos e ódio no coração. Uniu-se, com seus dois irmãos, aos Porcinos, aos Marcos, a Antônio Fragoso e a seu tio Antônio Matilde, formando, com mais outros dois cabras do coronel José Abílio, um grupo de treze homens. Subiu o vale do Moxotó, cortando seus areais frouxos e escaldantes de semi-deserto, e a 1de junho de 1921, atacou Santa Clara (Tupanatinga), no município de Buíque. Em seguida, desceu o mesmo vale, passando pelo povoado de Caboclo e pela vila de Pau Ferro (Itaíba), e atravessou a fronteira alagoana do município de Mata. Grande acrescentado de mais quatro homens, agora num total de dezessete, cada qual armado de rifle e punhal e municiado com 450 cartuchos nutrindo as cartucheiras e amojando os bornais. A 5 de junho deu combate aos tenentes Optato Gueiros e Eutíquio na fazenda Pilão do Gato, sem prejuízos de parte a parte, a não ser de objetos. 


Depois atacou a residência de Firmino Brandão e levou o terror às populações sertanejas de Capiá, Maravilha e outras localidades e fazendas que, de sobrosso, corriam para Santana de Ipanema. Tudo isto Lampião fazia por estratagema, com o fito de atrair o tenente José Lucena para um ajuste de contas: — "Quero quebrar e sujicar o sedém deste peste de Zé Lucena".
Arte de Cmarti

Entrementes, em Jatobá de Tacaratu (Petrolândia), reunidos quatro oficiais de Pernambuco, capitães Teófanes Torres e José Caetano e tenentes Carneiro e Campos, e um oficial alagoano, tenente José Lucena, para consertarem, em ação combinada, combate eficaz a Lampião, com o acordo simultâneo das fronteiras interestaduais. De volta a Santana de Ipanema, saiu Lucena com uma volante de sessenta praças para ôlho Dágua do Chicão (Ouro Branco), ausente dez léguas a noroeste. Tendo disto notícia, frechou Lampião, com mais de vinte homens, numa disparada para ali. E a 9 de junho o atacou furiosamente quiném onça faminta. Foi apenas um golpe de mão. 


O todo-poderoso Lucena, acostumado a correr atrás de cangaceiros, que dele se sumiam apavorados, ficou estarrecido com o atrevimento do ataque e a afoiteza da ofensiva inusitada. Por desforra, matou, em caminho, o pacato José Porcino, que não havia participado da luta. E, temeroso face às perspectivas de rumos desconhecidos e novos, que parecia a luta contra o banditismo tomar, requisitou destacamentos e volantes por perto, perfazendo sua força um total de cento e vinte praças bem equipadas. Por seu turno, Lampião arrebanhou mais gente, perfazendo um grupo de mais de quarenta cabras e com muita privinição de armas e munições.
A PRIMEIRA GRANDE BATALHA...

No rumo de Poço Branco
Passou Lampião pelo Espírito Santo (Inajá), deixando para Lucena pista visível e fácil. Vadeou o leito seco do rio Moxotó a uma légua de distância, e fez arranchação de pernoite na casa de seu amigo José Mandu, no Poço Branco, posição estratégica que escolheu para dar combate. Casa grande essa do Mandu, de varanda na frente, olhando para o sul. Na frente, o terreiro ligando-se com o caminho largo, variante da estrada real, que passa ao nascente, unindo Espírito Santo à Mata Grande, localidades separadas entre si por cinco léguas. Atrás, o rio Moxotó, largo, margeado de frondosas caraibeiras e graciosas palmeiras catolé, com suas flabelas farfalhantes encobrindo pejados cachos de pequeninos cocos amarelos. Um dos belos espetáculos daquela ribeira. 

Base da emboscada
O despertar cedo, naquela madrugada fusca e fria de 20 de junho. Depois do café gordo, reforçado com muita carne-seca para dar sustança, distribuiu Lampião o seu pessoal por trás de pés de-pau, de pedras, de barrocas e cercas, as emboscadas para O combate. A casa com o curral, ponto mais difícil, porque perigoso, decerto seria o primeiro alvo visado pelo inimigo. Essa posisição reservou ele para si. A direita da casa, oculto pela serroteira, seu irmão Antônio, com o bote pronto para dar retaguarda, operação esta de que me tornaria, depois, exímio mestre. A esquerda da casa, por trás das cercas de pedra, seu irmão Livino, vanguardeiro, peitudo, indômito. E, mais adiante deste, também camuflado no mato e atrás de pedras, Antônio Matilde.

A cada um coube dez a doze homens.

Larnpiãó fez privinição quiném experimentado cabo de guerra: - "Os macacos não vêem todos juntos, não. Antônio Matilde, sustente no fogo os que chegarem no coice. A gente só faz fogo quando os primeiros chegarem na frente da casa. Espero o sinal meu. Não gastar munição à toa. Se a gente tem de fugir é por detrás, pelo rio. Mas esperem eu dar o sinal".


Tenente Lucena

Cabreirices de Lucena
Em desde o Espírito Santo, vinha Lucena no rasto claro, certo e seguro, deixado por Lampião, na estrada de Tacaratu, paralela à margem direita do rio Moxotó. Mas, quando os rastos entraram no mato, em direção do rio, desconfiou de cilada ao mesmo tempo, assuntou que Lampião, tudo indicava, havia tomado o rumo da fazenda Poço Branco. Apiançando dar um golpe de surpresa pela retaguarda — a hora do dia cedo era favorável para pegar na desprivinição os cangaceiros —, mais que depressa voltou, vadeou o rio, tomando a estrada real que vai para Mata Grande e penetrando na boca do desvio que chega a Poço Branco. Mais uma vez desconfiando, fez alto. Por segurança, saiu caminhando por entro do mato, beiradeiando a variante.
A batalha

Todos os cálculos de Lampião deram certo. Lucena não o atacaria pelo outro lado, a retaguarda. Teria sua tropa dizimada no atravessar do leito seco e arenoso do rio. Acertou também: a tropa veio dividida. Na frente, Lucena com bem oitenta homens. Atrás, pouco distante, o tenente Enéias Barros com uns quarenta. Logo que a cabeça do pelotão de Lucena chegou defronte da casa, fez alto, a modo de observar, através do mato, aquele misterioso silêncio e de ganhar posição. Antes que isto acontecesse, Lampião deu o sinal convencionado com um tiro de pistola, rompendo o tiroteio da casa e do curral contra a tropa. Esta, num sufragante, deitou corpo e tratou, arrastando-se, de logo se mofumbar e entrincheirar para responder ao fogo. O pelotão de Enéias acelerou o avanço, mas foi detido pelo fogo de Antônio Matilde. A peitada não foi de graça, não. Parecia um ridimunho dos infernos! Na tiroteiação, balaços açoitavam as pedras num baticum enervante, ou assobiavam doidamente no meio do panavueiro chamando a morte, ou barbavam o mato, torando as folhas, estalando os galhos... Os cangaceiros, animosos, lançavam, no parraxaxá, desafios, insultos e xingos... gargalhavam sarcasticamente de mangação... rinchavam e zurravam feito animais...

Infuleimado o sangue com a quentura das armas cuspindo fogo e escoceiando nas detonações, as gargantas torturadas de sede com a abafação da atmosfera produzida pela pólvora queimada, os olhos zaros e ardendo e a vista alazã, sem trégua para tomar alento, depressa ficaram os combatentes bebos de raiva virando feras. Lampião levava vantagem dentro de melhores emboscadas, cuidadosamente escolhidas. 
Frederico Bezerra Maciel


Sob as ordens de Lampião, rápido deslocou-se seu irmão Antônio, com seus homens, bem agachados, para atacar, de retaguarda, o flanco esquerdo da tropa de Lucena. Ao impacto inesperado e violento, a parte atacada se desatou do grosso da tropa e recuou com cerca de trinta soldados.

Para salvaguardar a perigosa situação, destacou Lucena imediatamente uns quarenta soldados em contraofensiva. Nesse quando, chamando seu irmão Livino, tentou Lampião o envolvimento do flanco direito da parte da tropa de Lucena que ficara na linha de fogo. Oficial instruído em curso de caserna,  compreendeu Lucena o jogo tático de seu adversário: aniquilar ou afugentar sua tropa para, ao depois, cair sobre a do tenente Enéias. Realmente, muito tempo adiante, narrando a amigos aquela batalha, confirmou Lampião a sua intenção no momento. Isso, porém, não teria passado de mera tentativa se na ocasião tivesse ele, pelo menos, outro tanto do efetivo de Lucena e um poder bélico muito superior. Mesmo assim, saliente-se, nesse movimento de cerco dentro da batalha, talvez tivesse de sacrificar muita gente. Ademais, enquanto a polícia usava carabina-fuzil de longo alcance, semiautomático, e bala de aço de grande poder perfurante; Lampião utilizava rifle papo-amarelo* ou cruzeta, arma de repetição, que esquenta muito após quarenta tiros, de muito menor alcance, e bala calibre 44, de chumbo, chata, de poder antes rompedor que penetrante. Refez e uniu Lucena sua tropa fragmentada e, num trancão impetuoso de fogo cerrado, empurrou Lampião e seus irmãos para as linhas primitivas. Durante a contra ofensiva, houve um corpo-a-corpo, desesperado e sangrento: engalvinharam-se o valente cangaceiro Cavanhaque e um "macaco", rapidamente passando os dois apronto. 


O sol se incrisava.
Lampião verificando a munição ficando escassa, deu sinal de retirada — cinco tiros secos de pistola para o ar. Correndo agachados e atirando, os cangaceiros cruzaram o lençol de areia enxuta do rio e fizeram pousada num arredado perto, embiocados. Lucena não saiu na inculca deles. Voltou, com a 'tropa em muxibas, trambecando, para Santana de Ipanema. Além dos dois mortos na luta corpo-a-corpo, não foi possível obter-se informação exata do resultado da batalha. A tarde se arriara, por coincidência, sombria e triste, envolta em tons arroxeados. E com ela, a catinga começava a adormecer, toda desarranjada e destroçada pelo espasmo da luta, parecente, de mesmo, um espojeiro de monstros anti-diluvianos...

Oficial do Exército?
A seu amigo, Padre José Bulhões, vigário de Santana de Ipanema, comentou Lucena a batalha do Poço Branco: — "Figurei, em dado momento da luta, que Lampião queria mesmo acabar comigo, Depois, diante de seus estratagemas, me veio uma dúvida: Não é possível! Seria mesmo Lampião o comandante? Ou esses cabras estão sendo comandados por  algum oficial estrategista de alta patente, egresso do exército?!...” Classificou também ele, a retaguarda de Antonio Ferreira de “manobra magistral”.

Raul Meneleu Mascarenhas
Blog Caiçara do Rio dos Ventos
FONTE:http://meneleu.blogspot.com.br/2014/10/lampiao-o-guerreiro-que-corria-atras-do.html

Casarão de Patos e o Cariri Cangaço Por: Manoel Severo

Caravana Cariri Cangaço em Patos de Irerê

Patos de Irerê; distrito de São José de Princesa, terra antigamente pertencente ao município de Princesa  Isabel é o berço de alguns dos troncos familiares  mais tradicionais da Paraíba e do Nordeste: Os Marçal, Diniz, Florentinos, Dantas, Antas; “solo sagrado” do famoso Casarão de Patos, residência do Major Floro Diniz, pai da não menos famosa Xanduzinha e sogro do “Caboclo” Marcolino, eternizados na composição de Humberto Teixeira na voz de Luiz Gonzaga, recebeu a primeira visita do Cariri Cangaço.

Anfitrionados pelo memorialista e amigo Joao Alberto Antas Florentino, ou Joao Antas, pudemos contatar com fragmentos do passado e redescobrir a fantástica historia e saga dos Marcal Diniz, Pereira Lima, o cerco a Patos por Clementino Quelé, o sequestro de Xanduzinha, o espetacular resgate pelos homens de Marcolino e Zé Pereira e a morte de mais de 60 soldados num dos episódios mais marcantes da `Guerra de Princesa` em 1930.


 Casarão de Patos
 Manoel Severo, Narciso Dias e Jorge Remígio no Casarão de Patos
João Antas e Manoel Severo


Estando em Patos de Irerê não poderíamos deixar de citar que dentre todos os arranjos e conchavos vivenciados por Virgulino Ferreira, um dos que mais se destacam foi sem dúvida a relação mantida com a grande oligarquia da família Diniz, do coronel Marçal Diniz; seu irmão Laurindo, seu filho Marcolino Pereira Diniz e seu genro, o chefe político de Princesa, o poderoso Zé Pereira.É Interessante observar a incrível ligação consangüínea que acabou ligando esses personagens chaves desse período cangaceiro de Virgulino na Paraíba, senão vejamos: numa época em que os casamentos consangüíneos eram corriqueiros, o número de filhos bastante elevado e os homônimos existiam em todo lugar, Princesa apresentou alguns casos dignos de um autêntico quebra-cabeça.
Coronel Zé Pereira
 Dona Alexandrina Pereira Lima (Dona Xandu)
O “coronel” Marcolino Pereira casou com Águida de Andrade, a “Sinhá" Águida, a união gerou Zé Pereira e Doninha. Esta enamorou o “coronel” Marçal Florentino Diniz e teve os filhos Xandu e Marcolino Diniz. Esse se uniu a outra Xandu, a famosa Xanduzinha, filha do "major" Floro Diniz. Zé Pereira casou-se com a própria sobrinha, Xandu, essa, a irmã de Marcolino. Então temos: Zé Pereira que é irmão de Doninha, que é mãe de Marcolino Diniz, que é irmão de Dona Xandu, que firmou matrimônio com Zé Pereira. Fácil, fácil de entender, Eita Patos de Irerê cheio de maravilhosas histórias...

 Marcolino Diniz, sentado; filho de Marçal Diniz irmão de uma Xandu e esposo de outra...

Voltemos à nossa visita; ao chegar no famoso Casarão a surpresa com o adiantado estado de deterioração desse que sem duvidas se  configura como um dos mais espetaculares patrimônios do sertão paraibano. A majestosa casa do Major Floro ainda guarda na sua fachada a grandiosidade que se encontrava por detrás de suas atuais paredes caídas; na década de 20 do século passado o local era um verdadeiro e prospero parque fabril. Nas palavras de Joao Antas a decepção e a remota esperança da restauração. `Tenho medo que essa historia acabe comigo, não poderíamos deixar isso acontecer` revela Antas.


 Capelinha de Patos de Irerê: Aqui estão sepultados os restos dos familiares Diniz
 Ingrid Rebouças na pracinha de Patos de Irerê
Jair Tavares, Jorge Remígio, Manoel Severo e Narciso Dias em Patos de Irerê

Novamente no povoado de Patos de Irerê já perto das 18h a visita a capela onde estão sepultados, entre outros, os corpos do Major Floro, de Marcolino e Xanduzinha, a emoção tomou conta da Caravana Cariri Cangaço. Para finalizar a visita de trabalho, visitamos a casa de Marcolino Diniz e Xanduzinha, a mesma onde Lampião costumava tomar conhaque e jogar cartas e a mesma que foi saqueada e bombardeada por Quele em 1930. 

"Nesta mesa Marcolino recebia Lampião; de um lado da cabeceira ficava Marcolino, do outro Lampião, quando havia qualquer alerta, o rei do cangaço saia pela portas dos fundos" fala João Antas, e continua: "A família do Major Floro e Marcolino eram absolutos aqui e em toda região, os homens mandavam em tudo e em todos, até sua morte todos respeitavam e temiam o doutor Marcolino, doutor porque ele fez dois anos na faculdade de direito" conclui.


Capelinha de Patos de Irerê
Casa de Marcolino Diniz logo após o ataque de Clementino Quelé
Atual Fachada da casa de Marcolino Diniz em Patos de Irerê
Cariri Cangaço e a mesa de Marcolino Diniz:"Numa cabeceira ficava Marcolino, na outra Lampião..."

No Cariri Cangaço Princesa 2015, no mês de Marco, teremos a grande oportunidade de revisitar Patos do Irerê e no terreiro do grande e histórico Casarão do Major Floro realizar um grande debate com os principais pesquisadores da temática.

Narciso Dias, Conselheiro Cariri Cangaço e Presidente do GPEC, completa: "É realmente uma grande emoção vir até Patos de Irerê e conhecer de perto o Casarão do Major Floro, a casa de Marcolino, essa terra tão cheia de história e tradição; a chegada de nosso Cariri Cangaço em Março de 2015 a Patos, dentro do Cariri Cangaço Princesa será extraordinária". Participaram também da visita, Jair Tavares, Heldemar Garcia, João Antas, Ingrid Rebouças e Jorge Remigio.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
20 de Julho de 2014


VEJA UM POUCO MAIS DA HISTÓRIA DE PATOS DE IRERÊ; TAMBÉM NESTE BLOG:
http://cariricangaco.blogspot.com.br/2010/05/marcolino-diniz-e-xanduzinha-parte-i.html
http://cariricangaco.blogspot.com.br/2010/05/marcolino-diniz-e-xanduzinha-parte-ii.html

Janelas Killers Por Vilma Maciel

Aurineide Aguiar, Vilma Maciel e Manoel Severo em Angico

Os sonhos do homem simples dos sertões,certamente não alcançam voos tão altos, mas planeiam quase sempre no esplendor da vastidão das terras, na boa colheita, no criatório de gado e na garantia de sua sobrevivência. Como surgiu o Cangaço em meio a sonhos tão singelos e humanos? É ledo engano argumentar que os cangaceiros eram deserdados da vida, os sem terra, o que resultava àquela vida de crime e terror sertanejo. Antes de tudo, devemos ver o cangaço como um movimento estimulado e mantido por grupos de latifundiários, com exceção é claro de muitos fazendeiros honrados, mas não podemos camuflar o nefasto coronelismo e seu poder dominante.



O fenômeno do cangaço foi um sintoma de ferida que corroía a sociedade. O sertanejo se viu vitima do acúmulo de injustiças sofridas nas garras dos mais poderosos: O estado de submissão em que viviam, perseguições e as terríveis mágoas pessoais. Num contexto onde prevalecia, predominava ou defendiam um código de honra particular. Matar por vingança significava ter poder ser corajoso. 


Arte da Caribé

As circunstâncias sociais criavam homens violentos.Daí poderíamos ver as possibilidades desta formação de personalidades dos cangaceiros e criminosos como uma fusão da sociedade sertaneja e seu biótipo. Lampião foi o expoente máximo do cangaço,não querendo dizer com isso que foi o seu criador. O movimento já existia muito antes; os grupos de Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino, Adolfo Meia Noite, Sinhô Pereira, mentor maior de Virgolino e outros. Vale salientar que Virgolino Ferreira da Silva nunca foi um líder de rebeliões, movimentos de sertanejos revoltados ou líder de guerrilhas políticas.

O que podemos conjeturar é que ele se tornou líder de seu próprio grupo e formou outras lideranças com seus subgrupos. O que ocorreu com aquele homem até então um simples trabalhador, almocreve e cheio de sonhos, para se tornar o Rei Do Cangaço? Passando a se transformar num mito no imaginário popular? A personalidade de Lampião estava povoada de paradoxos: Simples, explosiva, às vezes amável, às vezes sonhador, isso se explica porque até o fim de sua vida viveu com sua amada Maria Bonita, intrépido. Só um homem que consegui sobreviver na perigosa liderança da resistência por tantos anos, como ele ,poderemos atribuir a força deste sonho e projeto de vida. No seu caso projeto de sobrevivência. Virgolino tornou-se fora da lei, não pode voltar a vida pacata. 


Antônio Vilela, Ângelo Osmiro, Vilma Maciel e Kiko Monteiro no Cariri Cangaço em Crato

Reconhecemos nele um homem valente. Em vez de fugir das ofensas, desafetos e perseguições, assumiu seu "EU" deixou de ser expectador passivo das próprias misérias e passou a resistir com unhas e dentes , com a força descomunal do seu lado explosivo de sua personalidade. Assumiu a liderança com extrema habilidade. Os conflitos inatingíveis, assumia com coragem, nos bastidores da sua mente, gerenciou o seu EU , e, passou a ser líder de si mesmo, para ter suporte de liderança e encorajar seu grupo. 

A nossa inteligência se acha encarcerada quando aceitamos passivamente algo negativo, que nos fere a alma. Com Lampião não foi diferente: Segundo John Kennedy,"O conformismo é o carcereiro da liberdade, o inimigo do crescimento". Façamos uma comparação levando em conta as causas que o levaram a torna-se fora da lei: A perda da tranquilidade almejada por todo sertanejo, a paz da família em perigo. A perda dessa tranquilidade roubou-lhe a alegria, mas produziu algumas JANELAS KILLERS na sua memória: segundo Augusto Cury no seu livro Inteligência Multifocal-Cultrix. SR, 1998.


Artesanato Mestre Noza, Juazeiro do Norte-Ce

"Janelas Killers são zonas de conflito intensas cravadas no inconsciente que bloqueia o prazer. Conformismo para ele era a morte. As desavenças co a família Pereira, o conflito co José Saturnino, depois com os Nazarenos e com a polícia. Tudo isso contaminou o delicado solo do seu inconsciente. A resposta ferrenha de sua mente foi a luta, a força dos combates e as atrocidades de seu crimes e o terror sertanejo. Para o homem agir com coerência, principalmente na sociedade atual, precisamos controlar os traumas.

"Só o conhecimento sobre si mesmo e o amor pela espécie humana libertam o Homo Sapiens das suas loucuras." Augusto Cury, sabemos que a violência dos cangaceiros e volantes advinha do próprio meio social. Entre as varias explicações para esse fenômeno, tentei expor algumas, cabe aos nobres colegas fazer suas próprias conclusões.

Vilma Maciel
Pesquisadora, escritora
Juazeiro do Norte, Ceará

E esta tal Liberdade ... Por: Leandro Cardoso e Carlos Eduardo Gomes

Lamartine Lima, Luitgarde Oliveira, Leandro Cardoso, Ivanilde Leite e Manoel Severo no Cariri Cangaço em Porteiras, 2013.

Fala Doutor Leandro Cardoso... "A sensação de liberdade, na verdade, nunca foi "consciente" por parte das cangaceiras. O simples fato de deixarem para trás a "rigidez moral, sexual e de comportamento daquela sociedade, por si só já é uma quebra de correntes, e, portanto, libertação. Lembremo-nos que as cangaceiras fugiam com seus companheiros para viver maritalmente, sem efetivamente casar. E muitas tiveram mais de um companheiro naquela vida. Ou seja: uma micro-revolução sexual. 

Muitas moçoilas sertanejas FUGIAM PARA CASAR com seus noivos, escondidas, quando o consórcio não era aceito por seus genitores. O rapto da noiva até era aceito socialmente, mas ficar sem casar, não (pois seria visto como prostituição). Aí está mais uma ruptura com o padrão socialmente aceito da época. Outro ponto a considerar: o cangaço não era visto pelos jovens como uma guerra, mas sim como uma opção de meio de vida, uma aventura, com a qual elas (e os sertanejos em geral) se identificavam (o chamado escudo ético). 


Maria Bonita

Dessa forma, as vítimas eram fundamentalmente jovens que, mesmo "ouvindo falar" dos riscos, mergulhavam naquela aventura de ouro, guerreiros bonitos e o mundão sem esquina. Os cangaciros caíam no cangaço por necessidade; as cangaceiras, por opção (na maioria das vezes). E, só para encerrar: o cangaço seduziu também mulheres mais velhas, como Dona Delfina, que chegou a ser presa em Canindé do São Francisco por ser coiteira fiel do Rei do Cangaço. O cangaço era sedutor.

Com a palavra Carlos Eduardo Gomes..."Entendo perfeitamente seu raciocínio e estou de acordo. Muitas mulheres acompanharam seus namorados, ou simplesmente foram atraidas para o cangaço em busca da liberdade. Minha tese é de que elas trocaram a rigidez moral, pela vida sem sossego e violenta, sem nunca terem encontrado a liberdade que buscavam. 

Antônio Tomaz, Carlos Eduardo, Ângelo Osmiro e Afranio Cisne no Cariri Cangaço Crato, 2011

Outro ponto importante que você aborda no seu comentário, é a opção pelo cangaço como forma de buscar um meio de vida mais fácil. Importantíssima essa sua citação: “o cangaço não era visto pelos jovens como uma guerra, mas sim como uma opção de meio de vida, uma aventura, com a qual elas (e os sertanejos em geral) se identificavam (o chamado escudo ético). Dessa forma, as vítimas eram fundamentalmente jovens que, mesmo "ouvindo falar" dos riscos, mergulhavam naquela aventura de ouro, guerreiros bonitos e o mundão sem esquina”. Não posso concordar em chamar de vítimas os que tentavam fazer sua vida roubando e matando seus conterrâneos. Não sei contar se os que fizeram a opção pelo cangaço para ter uma vida melhor foram maioria ou não. Falando do cangaço de Lampião, talvez possa ser. 


Leandro, a história do cangaço, em especial a fase de Lampião, tem um colorido muito atraente, fascina muita gente pela valentia, pela busca da vida sem lei nem rei. Mas quando você observa em detalhes o método do Rei dos Cangaceiros, é claro que a rebeldia é substituida pela composição com os donos do poder. Acho que foi Frederico P Mello que chamou Lampião de Coronel sem Terras. A mais pura verdade. 

Dou muita importância ao que os cangaceios disseram. No meu entendimento ao dizer que vinha se dando muito bem no negócio, em 1926, na entrevista do Juazeiro, Lampião confessa seu objetivo, sem deixar dúvidas. Fora as outras evidências de que liderava uma organização criminosa bem montada. 

Estou aguardando ansioso pelo seu prometido trabalho sobre Sinhô Pereira. O cangaço não é só Lampião, embora saibamos que o Cego é o astro rei."

Antônio Vilela, Sousa Neto, Leandro Cardoso, Jorge Renígio, Manoel Severo e Ivanildo Silveira no Cariri Cangaço Barro, 2013

Leandro Cardoso:"Você tocou no X da questão: Lampião sim era um coronel itinerante. E, segundo Sabino Bassetti, inaugurou o "Caixa Eletrônico" no sertão (só que com o dinheiro alheio). O cego véio (no dizer de Maria Bonita) efetivou um cangaço alcaponiano, diferente, no seu cerne, do cangaço-de-revides de Sinhô Pereira e Luis Padre. 

Eles tem, sim, pontos em comum; mas o que manteve na ativa cada capitão-de-cangaço parece bastante diverso. Quanto ao meu trabalho, estou escrevendo algo sobre Sinhô, com algumas coisinhas que descobri, principalmente sobre a "grande fuga". Vamos aguardar !

Leandro Cardoso Fernandes; Teresina PI
Médico, pesquisador, escritor

Sócio da SBEC, Conselheiro Cariri Cangaço

Carlos Eduardo Gomes; Rio de Janeiro RJ
Empresário, membro do Cariri Cangaço

A Música já Estava Encravada


Cariri Cangaço: A Origem...
"A 'musica', já estava encravada na mente do grande Manoel Severo desde a sua adolescência. Em determinado momento entrou em 'hibernação' devido aos contornos que temos que fazer nas desvirginardes da nossa juventude. 

Sálvio Siqueira

Mais tarde, acabando o tempo de descanso, bastou colocar a 'letra' na melodia armazenada. Uma das coisas mais importantes que uma pessoa tem em sua existência, se não a maior, é quando consegue realizar um 'sonho'. 
Mas, para tanto, necessita-se de perseverança e muita determinação. Parabéns ao ilustre. Um grande exemplo foi dado pelo incansável Manoel Severo, e, bons exemplos, não só podem, 
devem ser seguidos."

Sálvio Siqueira.

O Banditismo no Nordeste Por:Donatello Grieco

Ranulfo Prata


RIO, 23 (Da nossa sucursal) – O senhor Ranulfo Prata acaba de publicar um interessantíssimo livro sobre Lampião, que foi editado no Rio por Ariel. Procurado esse ilustre escritor, que já forma em nossa literatura com alguns bons livros de ficção, conseguimos uma entrevista interessante, para os leitores do sul que, em geral, tão pouca coisa conhecem, em linhas nítidas, desse angustioso problema do nordeste brasileiro.


Obtive a documentação do livro, diz-nos o Sr. Ranulfo Prata, na própria região assolada pelo flagelo. Residindo em Santos, fui em dezembro de 31, ao interior de Sergipe onde, na cidade de Anápolis, tenho pessoas de minha família.

Nessas férias, permaneci em Anápolis até março de 1932, procurando sempre entrar em contato com testemunhas pessoais de façanhas do bandido, bem como colher documentação entre as pessoas que me pareceram mais autorizadas a falar sobre o assunto. Colhi, então, os primeiros dados biográficos do facínora.

Este ano, nova viagem foi empreendida por mim àquelas zonas flageladas pelo cangaço. Entrei então, posso dizê-lo com sinceridade, no conhecimento direto dos fatos que mais de perto se relacionam com o banditismo. Viajando de auto de Anápolis a Jeremoabo, quartel general das perseguições e das ações das volantes, passando em Paripiranga, Bom Conselho, Antas e mais regiões sertanejas, vê-se que a gente daquelas vilas não pensa, não fala, não cuida de outra coisa a não ser de Lampião.



Lampião é o problema obsedante; seus atos, todas as suas tropelias sangrentas são discutidos com ânsia febril pelas populações exaltadas. Por isso mesmo que todos falam do mesmo homem. Por lá andando me foi simplíssimo colher dados e narrativa das próprias vítimas, dos soldados, oficiais e mesmo de coiteiros.

Esses “coiteiros” são indivíduos que dão refúgio a Lampião e seus sequazes. Nesta palavra de velho sabor vernacular, está com certeza, o segredo do fracasso de todas as arremetidas contra Lampião. Protegendo o bandido, coagidos por seus ímpetos sanguinários ou então o fazendo por mero desforço pessoal aos policiais truculentos, os coiteiros ocultam todos os detalhes da ação do bandido; e isso dificulta extraordinariamente a captura dos miseráveis bandoleiros.


A ideia do Livro...

- E como surgiu a ideia do livro?

- Vendo o horror que afligia aquelas pobres populações senti-me na obrigação moral de, como intelectual, filho dali e partilhando daquele sofrimento, lançar um clamor e um apelo. Foi o que fiz. As notas que eu próprio tomei, foram depois completadas com as de parentes e amigos, que me merecem a mais absoluta fé. Dos próprios oficiais combatentes recebi relatórios que detalhavam a ação militar. 

A amigo dedicado, velho morador de Jeremoabo, e espectador inteligente do drama, devo também muito dos informes. Esse amigo fez uma verdadeira reportagem pelo interior do sertão, falando até com o velho guerrilheiro Pedrão, sobrevivente de Canudos.


Em fins de dezembro de 31 presenciei, com os próprios olhos, o quadro que descrevi no capítulo “Êxodo”. Às cidades de Anápolis e Paripiranga, esta última uma vila baiana vizinha, vi chegarem magotes e magotes de gente expulsa dos lares sertanejos. Conversei com agigantados vaqueiros que choravam como crianças por terem deixado tudo ao léu: casa, criações, roças. 

Na minha própria cidade, a principal do Estado, o bandido já tentou várias vezes entrar. Quando lá estive, noites e noites passamos sem dormir, com soldados e homens assalariados dentro de trincheiras, fuzil em punho. Os apontamentos sobre as duas visitas do facínora a Sergipe foram obtidos nas próprias cidades invadidas, de pessoas fidedignas.


Minucias do tipo físico de Lampião tive-as do meu amigo e colega Eronides de Carvalho, clínico em Aracaju, que teve o desprazer de hospedá-lo durante uma noite, em uma fazenda dos sertões de Gararu. Muitas das fotografias que estampam o livro de vítimas do bandido, foram obtidas por mim.



A solução do problema...

- E que nos diz a respeito de uma solução a esse problema angustiante do banditismo?

- A solução imediata é a morte ou prisão de Lampião, com a consequente dissolução do bando. 

Posso mesmo expor aqui uma fácil comparação médica: sertão, sofredor da velha moléstia do cangaceirismo, desde longos anos, está agora, numa crise aguda a exigir uma picada de morfina que o alivie de dores cruciantes. Dando-lhe este alívio coem o extermínio de Lampião, ficará ainda a moléstia a merecer terapêutica enérgica que por uma vez, a liquide, voltando o sertão a ser o que deve ser.


Esta solução imediata só uma campanha federal poderá alcançar. Nada mais patente do que a incapacidade dos poderes estaduais, ou melhor, de todo o Nordeste congregado. É uma simples questão de meios: o governo central pode dispor de dinheiro e de força, imprimindo à campanha uma feição séria como exige o problema. Desaparecido Lampião não creio que surja outra figura que adquira a mesma aureola. Apesar dos pesares, de todo o peso das correntes que a política nos amarra aos pés, caminha-se, o sertão progride e já não é meio tão propício ao desenvolvimento do banditismo como há dez ou quinze anos atrás. Os Fords já vasculham tudo aquilo, de Sergipe a Pernambuco, trazendo as consequências civilizadoras fáceis de imaginar.

Concluindo: 

- Com meu livro, termina o Sr. Ranulfo Prata, quis, antes de tudo, fazer obra de repercussão social. 

Não me incomodei unicamente com o amontoamento dos detalhes trágicos da vida do cangaceiro, “Lampião” é um libelo, um livro que envergonha, entristece e humilha, devendo ser visto com sinceridade. É uma chaga que exponho ao sol para ver se é possível curá-la.



DONATELLO GRIECO
Extraído da “Folha da Manhã”, de São Paulo, 
de 28 de janeiro de 1934.

Cortesia de postagem de Antonio Corrêa Sobrinho.