Comunicado Importante - SBEC

"Em virtude das greves nas duas Universidades Públicas de Mossoró(UERN  e UFERSA ) e da impossibilidade de realizar o XVII Fórum do Cangaço nas outras instituições de ensino superior( UnP, Mater Christer e Faculdade Diocesana), a Comissão Organizadora do evento resolveu suspender a realização do mesmo. Agradecemos as instituições parceiras e as pessoas que estavam comprometidas com a organização deste conclave e prometemos que logo que seja possível , realizaremos este tão importante evento cultural. Saudações." 

Benedito Vasconcelos Mendes.
PRESIDENTE

SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço

Vem aí o XVII Fórum do Cangaço Por:SBEC




PROGRAMAÇÃO DO XVII FÓRUM DO CANGAÇO –SBEC- 
MOSSORÓ/RN

DIA 08 / Junho  – SEGUNDA-FEIRA ( PROGRAMAÇÃO)
09h00 – Sessão Solene da Câmara Municipal de Mossoró em
Homenagem ao XVII Fórum do Cangaço
Local – Auditório da Câmara Municipal de Mossoró

DIA 10 / Junho - QUARTA - FEIRA
19h00 – Ato de Instalação do XVII Fórum do Cangaço
Prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes – Presidente
da Sociedade Brasileira de estudos do Cangaço
Lançamento da Revista ”Polígono” da SBEC e do
Livro ”Culinária Sertaneja”
Local: Auditório da UnP/Campus Mossoró
19h30 – Conferência de Abertura– Tema: Medicina no Cangaço
Conferencista: Dr. Iaperi Soares de Araújo
Local: Auditório da UnP/Campus Mossoró
DIA 11 – QUINTA – FEIRA
08h00 às 12h00 – MINICURSOS (Carga horária de 04 horas/aula)
Local: Sala de Aula da UnP
Tema : Geografia do Cangaço
Ministrante: Pesquisador Paulo Medeiros Gastão
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Guerra de Canudos
Ministrante: Prof. José Romero de Araújo Cardoso
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Religiosidade Sertaneja
Ministrante: Prof. Dr. Lemuel Rodrigues da Silva
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Arqueologia do Cangaço
Ministrante: Prof. Dr. Valdecir dos Santos Lima
19h30 – A Coragem do senhor Maciel frente ao Bando de
Baltazar Meireles – Depoimento Histórico
Depoente: Profa. Dra. Maria Conceição Maciel
20h00 - Palestra/Tema: Padre Ibiapina e o Sertão Nordestino
Palestrante: Historiador José Joab Aragão
DIA 12 – SEXTA – FEIRA
08h00 às 12h00 – MINICURSOS (Carga horária de 04 horas/aula)
Local – Sala de Aula da UnP
Tema : Geografia do Cangaço
Ministrante: Pesquisador Paulo de Medeiros Gastão
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Guerra de Canudos
Ministrante: Prof José Romero de Araújo Cardoso
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Religiosidade Sertaneja
Ministrante: Prof. Dr. Lemuel Rodrigues da Silva
Local – Sala de Aula da UnP
Tema: Arqueologia do Cangaço
Ministrante: Prof. Dr. Valdecir dos Santos Lima
19h30 – Palestra / Tema: Música Popular Nordestina na Época
do Cangaço
Palestrante: Pesquisador Múcio Robério Procópio de Araújo
DIA 13 – SÁBADO
7h30 – Chegada à Câmara Municipal de Mossoró da Maratona
Ciclística seguindo a trilha feita por Lampião na invasão à
Mossoró em 1927
Coordenador: Dr. Renato Vasconcelos Magalhães
08h00 as 12h00– JURI SIMULADO – 
Julgamento Histórico de 
Jararaca
Presidente: Dr. Breno Valério Fausto de Medeiros
Local – Auditório da Câmara Municipal de Mossoró
12h00 – Encerramento
Fala do prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes
Presidente da SBEC
Apresentação de Membros da COMFOLC

A civilização do couro e a civilização da seca Por: Romero Cardoso e Marcela Lopes

Romero Cardoso

Capistrano de Abreu, célebre historiador cearense, denominou a formação cultural sertaneja, fruto da miscigenação das raças branca, indígena e negra, como civilização do couro, enquanto Paulo de Brito Guerra e Benedito Vasconcelos Mendes definiram-na em função da labuta do gênero humano que habita a hinterlândia no desafio constante à inclemência da seca.

A organização do espaço sertanejo esteve desde o início da colonização fortemente atrelado à importância auferida pela pecuária no ensejo da própria ocupação territorial das terras adustas do semiárido. O abastecimento de carne para a zona da mata açucareira constituiu-se na razão econômica da expansão para o interior do atual território nordestino, tendo em vista a impossibilidade de criar animais de grande porte nas terras destinadas ao suporte mercantil no quinhão que coube a Portugal quando da assinatura do Tratado de Tordesilhas.

Capistrano de Abreu

A exemplo da área açucareira que se firmou através da existência de grandes latifúndios em consonância com pequenas extensões de terra trabalhadas por homens livres e que se responsabilizaram pelo abastecimento da região com produtos alimentícios de origem agrícola, o semiárido também teve na distinção entre animais de grande porte e de pequeno porte a cristalização de status social.

Possuir gado bovino em grande número significava sinônimo de poder, enquanto dispor de rebanho caprino definia a situação de cada um na escala social. A cabra, ou vaca do pobre, era criada, como ainda é hoje no conjunto regional, pelas pessoas que detinham menos poder aquisitivo.Descobriram que o traslado do gado vivo era extremamente inviável, pois nas longas caminhadas os animais perdiam peso e se desvalorizavam consideravelmente. Surgiram então as oficinas, as charqueadas nordestinas, responsáveis pelo fabrico da carne de sol.



O aproveitamento do couro para a confecção de apetrechos usados no cotidiano deu ênfase à definição de Capistrano de Abreu para a civilização surgida no semiárido a partir do motivo econômico que ensejou todo processo de ocupação da hinterlândia.A vegetação extremamente espinhenta fez com que o vaqueiro nordestino se diferisse dos outros campeadores de gado espalhados Brasil a fora. O couro passou a ser utilizado na confecção de gibões, chapéus, cantis, alforjes, luvas, silhas, selas, perneiras e uma gama de outros apetrechos de trabalho, indispensáveis para que o campear do gado fosse realizado no semiárido.

Impossível adentrar a caatinga se não estivesse bem protegido das verdadeiras armadilhas representadas pelos dilacerantes espinhos das inúmeras espécies vegetais que fazem da caatinga um desafio. Quando das pegas de boi no mato, tempo de marcação das rezes, visto que não havia cerca divisando propriedades, era necessário que o vaqueiro estivesse bem protegido, caso contrário seria fatal à integridade física dos valentes campeadores de gado do semiárido.   



Era impossível que o vaqueiro sertanejo enfrentasse as duras condições apresentadas pela ecologia da caatinga se não houvesse uma adaptação ao meio. Dessa forma, o couro dos animais abatidos foram definindo a própria condução cotidiana da região. Com o couro, os sertanejos passaram a fazer verdadeiras obras de arte, usando-o em camas, cadeiras, estofados, mesas, portas, enfim, na própria construção cultural que se efetivou enquanto produto direto da habilidade humana.

Quando das grandes seca, a exemplo da ocorrida entre os anos de 1877-1879, o couro dos móveis e das formas artesanais que passaram a ser feitas no semiárido, foi usado como meio de sobrevivência. Retiravam o couro para servir de alimento, pois, conforme Rodolfo Teóphilo, somente no Ceará cerca de trezentas mil pessoas ou morreram de fome e de sede ou emigraram para a região norte, sobretudo para os seringais do atual estado do Acre, na época pertencente à Bolívia.

As pregações do Padre Cícero Romão Batista foram importantes para que os sertanejos se convencessem que a única saída para os filhos da civilização do couro e da seca naquela época de aflição era tentar a vida fora do Nordeste semiárido. Navios lotados transportaram flagelados das secas até Óbidos, no Pará. De lá seguiram subindo o curso do Amazonas rumo ao desconhecido.Somente quando o mercado externo deu sinais de alento econômico no que tange à utilização do couro para produzir determinados bens de consumo, foi que começou a se efetivar importante momento para o produto de origem animal que antes era utilizado apenas pelos sertanejos em suas vidas diárias.



Coronel Delmiro Gouveia conseguiu amealhar fortuna exportando, não raras vezes contrabandeando, peles e couros bovinos e caprinos para importantes firmas estrangeiras, acumulando capital suficiente a ponto de estruturar a ousada experiência industrial da Fábrica Estrela na Vila da Pedra (Hoje Município de Delmiro Gouveia) em Alagoas.A civilização da seca, por sua vez, foi determinada, principalmente, conforme seus definidores e principais estudiosos, através da implementação de estupendas obras de engenharia empírica que garantiram em certas épocas o fomento à sobrevivência do sertanejo frente à inclemência das estiagens prolongadas.

O aproveitamento de matérias-primas encontradas no bioma catingueiro só foi possível graças à invectividade sertaneja, pois certos produtos obtidos através do extrativismo realizado na região seria impossível se não tivesse havido ênfase a projetos artesanais como a prensa de cera de carnaúba, fabricada com o miolo da aroeira, árvore nativa do semiárido. O algodão, detentor, até bem pouco tempo, de grande valor no mercado externo não teria condições de ser comercializado se não tivesse havido a implementação da bolandeira que descaroçava um dos principais motores econômicos da região até o advento da praga do bicudo.

A inteligência do homem do sertão fez surgir rústicos engenhos que transformavam o melaço da cana em rapadura, alfenins e outros produtos de larga aceitação no mercado interno. Ao contrário do litoral, cujo artesanato teve caráter contemplativo, no semiáridos foi à sobrevivência perante os desafios suscitados pela natureza extremamente hostil.Civilização firmada na superação de obstáculos, o semiárido nordestino desenvolveu caracteres próprios que determinaram a originalidade de um povo forte que luta de forma estoica contra os ditames da natureza inclemente e a indiferença dos poderes constituídos que ainda insiste em negar direitos inalienáveis à dignidade humana.

José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Escritor. Professor-Adjunto IV do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA/UERN).

Marcela Ferreira Lopes. Geógrafa/ UFCG/CFP. Graduanda em Pedagogia/UFCG/CFP. Especialista em Educação de Jovens e Adultos com ênfase em Economia Solidária /UFCG/CCJS.

E de 25 a 28 de Julho...
Cariri Cangaço Piranhas 2015

Semana do Museu - Promoção da UERN


Honrado com o convite formulado pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Campus Avançado "Profa. Maria Elisa de A. Maia", para fazer a conferência de abertura da "Semana do Museu", uma iniciativa do "Programa Raízes da Cultura Sertaneja (PROCULT)", do "Museu de Cultura Sertaneja (MCS), acerca do tema "Coronelismo e Cangaço Ontem e Hoje", exponho, abaixo, a programação do evento:  

REALIZAÇÃO: CAMEAM
Semana do Museu
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
Campus Avançado “Profa. Maria Elisa de A. Maia” (CAMEAM)
MUSEU DE CULTURA SERTANEJA (MCS)
Programa Raízes da Cultura Sertaneja (PROCULT)
18 a 22 de maio de 2015



Programação:
Segunda-feira (18/05/2015)
Visitas ao Museu nos três turnos (matutino, vespertino e noturno)
Terça-feira (19/05/2015)
Manhã: Apresentação cultural, às 8h30min.
Noite: Conferência de Abertura “Coronelismo e Cangaço ontem e hoje" com o escritor Honório de Medeiros. Às 19h30min no Auditório do CAMEAM/UERN. (4h/a)
Quarta-feira (20/05/2015)
Manhã: Mesa-redonda com o tema “Produções Literárias e Culturais do Sertão Nordestino”. Debatedores: profa. Dra. Edileuza Costa (UERN), Prof. Me. Jocenilton Costa (SEEC) e Prof. Me. Cleonildo Costa (IFRN). Às 8h30min, no Auditório do CAMEAM/UERN. (4h/a)
Tarde: Oficina “Contação de história e formação de leitores”, ministrada pelo BALE. Das 13h30min às 17h.
Quinta-feira (21/05/2015)
Manhã: Visitas ao Museu
Tarde: Oficina “Contação de história e formação de leitores” do BALE. Das 13h30min às 17h. (8h/a)
Oficina “Fotografia”, ministrada por Francisco Gilvanildo de Lima (Ceará fotógrafo). Das 13h30min às 17h. (4h/a)
Noite: Apresentação Cultural da dupla Léo Batista e Raimuncirio. Às 20h, na praça de convivência em frente ao Museu.
Sexta-feira (22/05/2015)
Manhã: Visitas ao Museu
Tarde: Visitas ao Museu
Noite: Apresentação Cultural, às 20h.

APOIO
As inscrições serão realizadas na sede do Museu, a partir do dia 11/05/2015 (segunda-feira), nos turnos matutino (das 8h às 10h30min) e noturno (das 19h às 22h). No valor de R$ 5,00.

Honório de Medeiros

Fonte:http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/

Virgulino Repercute na Câmara Federal... Por:Antonio Correa Sobrinho

 
Virgulino Ferreira, foto de 1926 em Juazeiro do Norte

Vejam como Virgulino Ferreira, LAMPIÃO, o maior dos cangaceiros e um dos mais famosos bandoleiros que o mundo conheceu, realmente marcou indelevelmente a sua presença nos anais da humanidade. Em sessão da Câmera Federal, no ano de 1926, os deputados Francisco Rocha, da Bahia, e Batista Luzardo, do Rio Grande do Sul, debateram de forma acalorada mas cordialmente, a respeito simplesmente a quem Lampião prestava serviços, se à Coluna Prestes, em incursão pelas adustas terras nordestinas, em meados desta década, ou se das forças legalistas.
Francisco Rocha dizia que Lampião houvera servido de vanguarda às forças do revolucionário Carlos Prestes, uma vez que ajudou os tais a transpor o rio Pajeú, em Pernambuco, fulcrado no telegrama do general Mariante, a saber:

“Em juazeiro, fomos informados de que Lampião e seus sicários estavam servindo de guia às tropas rebeldes, durante a travessia delas no vale Pajeú, onde normalmente aquele bandido estabeleceu o seu centro de operações. Aliás, o estado-maior do S. General Joao Gomes, recebendo essa informação, nunca fez desmentido posterior. A partir da passagem do São Francisco, na região de jatobá, quando assumi o comando do meu grupo de destacamento, não houve mais notícia da presença de Lampião entre os rebeldes. Podeis fazer o uso que vos convier. Saudações”

Bem como se serviu deste comunicado, segundo ele, do Estado-Maior: 

“Não só em Juazeiro, como em Salvador e no Rio, tivemos notícias de que Lampião, por si e por sua gente, estava auxiliando os rebeldes na travessia destes, na região do vale do Pajeú, e regiões vizinhas, onde se tem desenvolvido, mais acentuadamente, a atividade daquele bandido, que ali localiza seu habitual esconderijo”.

Deputado Batista Luzardo

O deputado gaúcho, por sua vez, desqualificou o sobredito telegrama, bem como o comunicado, alegando tratar-se de documentos que não "são provas irretorquíveis, que são apenas notícias colhidas aqui e acolá, sem o caráter de seriedade e veracidade a que estava obrigado". Para defender o argumento de que, pelo contrário, Lampião havia, sim, prestado o seu concurso às forças legalistas, ou seja, ao Governo Federal, e que havia estado sob a proteção do padre Cicero e sob o amparo do deputado Floro Bartolomeu. Ao tempo em que fez leitura de trechos da carta publicada pelo “Jornal do Comércio”, de Pernambuco, de 4 de junho daquele ano de 1926, assinada pelo padre Cícero Romão Batista, datada de 30 de abril deste, ao Dr. Simões da Silva.

“Ilustre e distinto amigo Sr. Simões da Silva – Minhas saudações – Acuso nas minhas mãos a sua apreciada carta de felicitações pelo meu aniversário natalício e, bem assim, os jornais em que o meu nobre amigo, dando mais uma prova de sua generosa fidalguia, fez, embora imerecidos, brilhantes comentários em torno da minha modesta pessoa.”[...]

Existe, aqui no nordeste, um afamado bandoleiro, Virgulino Ferreira, geralmente conhecido por Lampião. Ele tem desenvolvido toda sua nefanda atividade, durante longos anos, nos estados de Pernambuco e Paraíba, sem que os respectivos governos, apesar dos esforços empregados , pudessem pôr termo aos seus crimes. Ultimamente, quando os patriotas de Juazeiro perseguiam os revoltosos, nos sertões pernambucanos, Lampião voluntariamente, entrou em ação com eles e, reunido a um dos seus contingentes, veio a esta cidade, alegando que o fizera de ordem do Dr. Floro e no caráter de soldado da legalidade.

Antônio Correa Sobrinho

Eu, efetivamente, sabia que o Dr. Floro o mandara chamar para auxiliar a reação contra as hostes revolucionárias. Assim, me pareceu, não devia e nem podia agir contra esse homem, pois que, se o fizesse, cometeria uma traição, pelo menos, á boa fé que o trouxera à minha terra. Ademais, não sou autoridade que tenha o dever de prender criminosos. Preferi, pois, como sempre costumo fazer, agir conselheiralmente e consegui do renomado cangaceiro a formal promessa de retirar-se do Nordeste. Aliás, por este processo, já tenho conseguido livrar este pedaço do território brasileiro de outros bandidos de igual jaez, como foram Luiz Padre, Sinhô Pereira, Joaquim Macie, etc., contra os quais nunca valeram as providências oficiais. Destes, graças à minha intervenção ficaram livres os nossos laboriosos sertanejos e eles, deslocados do meio onde se viciaram, vivem pacatamente, lá no longínquo Estado para onde os destinei, como bons cidadãos.”

Antonio Correa Sobrinho

Fonte: Jornal “O Globo” – 17/07/1926
Foto: Revista O Malho,17 de abril de 1926.
Fotos pertencentes ao acervo de Raimundo Gomes

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Cariri Cangaço Piranhas 2015

A Vida Breve e Vertiginosa do Cangaceiro Massilon Por: Enéas Athanázio


A existência do célebre cangaceiro Massilon se envolve em mistérios e lendas. Nem sempre é possível separá-los da realidade biográfica. As dificuldades começam pelo nome. Para alguns seria Antônio Massilon Leite, para outros Massilon Leite, Massilon Diógenes, Macilon ou Benevides. O historiador Honório de Medeiros, depois de longas pesquisas e intensa peregrinação no rastro do cangaceiro, chegou à conclusão de que ele, na verdade, se chamava Floriano Gomes de Almeida, conforme certidão do registro de óbito obtido em cartório e na qual constam os nomes corretos de seus país (*). Não obstante, foi como Massilon que fez carreira no cangaço e se tornou conhecido.
Os pesquisadores Hilário Lucetti e Magérbio de Lucena, em livro muito minucioso, descrevem o cangaceiro, integrante do bando de Lampião, como uma figura singular no cangaço. Dizem que Massilon foi um homem sofisticado, sempre bem trajado, que usava bússola para se orientar na caatinga e sabia dirigir automóvel. Segundo eles, depois que se desligou do grupo de Lampião passou a assaltar fazendas, atividade em que se deu bem, e, com o dinheiro, fugiu para o Rio Grande do Sul, onde mudou de nome, alistou-se na polícia e chegou a oficial. Mais tarde, já nos anos 1950, teria sido visto no Ceará, num caminhão novo, de sua propriedade, visitando parentes e amigos. Dizia na ocasião residir em algum recanto remoto do Brasil central. Ao ingressar no bando de Lampião, Massilon, oriundo do Rio Grande do Norte, já teria 26 ou 29 mortes nas costas por ter sido pistoleiro de aluguel. Foi um dos idealizadores do frustrado ataque à cidade de Mossoró (**).
Embora instigante e curiosa, a historia de vida do cangaceiro é bem mais singela. No livro mencionado, resultado de criteriosas pesquisas bibliográficas, documentais, entrevistas e intensas visitas aos locais onde o cangaceiro viveu e atuou, Honório de Medeiros chegou a conclusões muito diversas e elencou, com base nos fatos, tudo que está comprovado a respeito dele. Concluiu que a vida bandida de Massilon, embora vertiginosa, durou apenas quatro anos e que todas as mortes que lhe atribuíam não ocorreram, inclusive por falta de tempo, embora tenha cometido inúmeros homicídios, assaltos a vilas, fazendas e sítios, tudo comprovado. Em 1927, Massilon ataca Apodi, Gavião e Itaú, todas no Rio Grande do Norte, Estado onde não havia cangaço. Foi bem sucedido e o sucesso serviu de estímulo para novas ações. 
Nesse mesmo ano é apresentado a Lampião, que não o conhecia, e têm início as sugestões para o saque de Mossoró, a segunda cidade do Estado e a mais rica do interior. Lampião reluta. Tinha por norma só invadir cidades com uma só torre de igreja apontando para o céu e Mossoró tinha quatro. Mas acabou cedendo e o bando atacou a cidade. Mas a população, indignada, pegou em armas e se defendeu com unhas e dentes. Fracassada a tentativa, com o orgulho ferido e o rabo entre as pernas, Lampião e sua cabroeira se retiraram para Pernambuco. Na luta morreu o cangaceiro Colchete e Jararaca, ferido e preso, foi executado, havendo notícia de que teria sido sepultado vivo. Massilon se despede de Lampião e ruma para o Maranhão. Em março de 1928, no Sítio Granjeiro, interior do município de Caxias, Massilon morre em consequência de um “sucesso.” Brincava com um amigo negro chamado Vicente, que dizia ter o corpo fechado, e foi baleado de maneira mortal. Tinha presumíveis 30 anos de idade (1898/1928). Media cerca de 1,60m de altura e raríssimas são suas fotos. O autor reproduz apenas uma em que ele posa só, de fuzil em punho, e a célebre fotografia do bando de Lampião, em Limoeiro, onde Massilon aparece. 
Na foto individual ele está com um dos joelhos no chão, segurando a arma longa, e usa o chapéu de couro típico dos cangaceiros, embora sem abas muito largas e enfeites. Tem o rosto redondo, algo “bolachudo”. Nem de longe parece o sanguinário que foi.
O livro aborda inúmeros outros aspectos, inclusive analisando o fenômeno do cangaço, e contém um delicioso conjunto de crônicas relatando as viagens do autor na incansável busca pelo misterioso Massilon.
Fonte http://www.riototal.com.br/ - CooJornal nº 856
Enéas Athanázio,
escritor catarinense, cidadão honorário do Piauí
e.atha@terra.com.br
Balneário Camboriú - SC
Gentileza da Postagem Facebook : Sálvio Siqueira

E de 25 a 28 de Julho
Cariri Cangaço Piranhas


Chapéu Estrelado Por: Sílvio Coutinho


"CHAPEU ESTRELADO, meu novo filme. Acabo de retornar de 13 dias de lembranças que jamais serão apagadas da minha vida. Na dureza e na beleza do sertão, nas emoções genuínas, na gentileza tantas vezes constatada do povo, que não esquece Lampião, nem o medo, nem o fascínio de Lampião e seu bando... Ainda cansado, mas muito feliz, grato a todo mundo que ajudou ou que mesmo de longe nos desejou o bem. A mim, Rostand, Iaperi e Valerio. De volta à agitação dos compromissos na cidade maravilhosa, com uma bagagem marcada e ao mesmo tempo leve na alma, profusa de estrelas, deste chapéu de cangaceiro na tela do Cinema".

Sílvio Coutinho

Lampião no Tipi Por: José Cícero Silva

A Arte de Fredi Ambrogi

Lampião passou um dia no Tipi onde inclusive se arranchou; pernoitou , no local na época conhecido por "Pedra de Amolar" onde hoje existe um açude e a curva do S da CE-288 a mais ou menos 2 km da sede da fazenda. Em meados de 1925 um ano depois da morte da matriarca Marica Macedo do Tipi. O bandoleiro foi recebido na casa grande pelo filho de D. Marica onde houve uma relação de respeito mútuo. 

Desabastecido em face de uma jornada de perseguições inclusive na Serra da Várzea Grande lampião pediu favores e recebeu comida, água e uma razoável quantia em dinheiro, inclusive adicionada uma "vaquinha' feita junto as lideranças, potentados e comerciantes da cidade. Do Tipi Lampião seguiu para o serrote dos Cantins, e Diamante e de Lá direto para a serra do Mato do cel. Santana em goianinha atual Jamacaru em Missão Velha em seguida retornara para o seu Pernambuco.



Em Tempo: Um fato engraçado ocorreu nesta visita de Lampião: um menino "frangote" no dizer de alguns tipienses antigos resolveu às escondidas checar no coito de Lampíão e pedir que o aceitasse no bando queria ir embora com o grupo. Lampião achou engraçado e, num misto de riso e sisudez diante dos cangaceiros disse o seguinte: - Qual sua idade e qual a graça de seu pai? - Sou filho de seu Virgílio, seu Lampião, amigo de seu Silvino Macedo homem rico do Tipi e das ororas. 

Eu tenho 16 anos inteirado e sei atirar bem tenho a munheca boa acerto até tiziu voando. Ao que respondeu Lampião com um gracejo: Então-se vá lá mate seu pai, sua mãe e toda a sua família que a gente lhe aceita no bando né mesmo cambada?!. Segundo dizem a cabroeira caiu na gargalhada. Cabisbaixo e desiludido no seu intento, o rapaz voltou pra casa e só contou esta história tempos depois aos seus temendo uma surra do pai. Nenhuma maldade ou desrespeito de qualquer espécie Virgulino cometera ou permitiu que se cometesse por essas bandas do Tipi.

José Cícero Silva
Conselheiro Cariri Cangaço
Aurora, Ceará

E de 25 a 28 de Julho...
Cariri Cangaço Piranhas 2015

Nazaré em Festa Por:Paulo Gastão

 Cavaleiros fazendo o trajeto dos "Rastros de Lampião"

A família Nazarena está vibrando com o sucesso obtido quando da realização da 1ª Cavalgada a Serra do Pico.Sob a coordenação da sra. Cristina Amaral, filha do saudoso tenente João Gomes de Lira, que não mediu esforços para a brilhante promoção, viu a alegria estampada nas faces dos seus ilustres conterrâneos. Com roteiro pré-estabelecido os cavaleiros, como também os portadores de motos e automóveis marcaram presença, onde o livro de registro assinalou mais que 250 participantes.  Merecidos aplausos devem ser dirigidos ao sr. Rubelvam Amaral, filho do Tenente João Gomes de Lira, que enfrentou a construção da estrada que hoje nos leva até a Serra do Pico. A ele o nosso agradecimento maior.

Manifestações de conhecimento histórico foram mencionados ao longo do percurso. Sempre a comunicação era realizada por jovens familiares, relatando os feitos dos seus antepassados. Verdadeira e oportuna aula de história sertaneja. A presença de jovens nos faz acreditar na manutenção da promoção. A partir de agora o pesquisador, visitante, turista, tem a oportunidade de visitar a Serra do Pico no seu transporte próprio, pois, a sinalização instalada facilita a caminhada.

Na Serra do Pico dois momentos foram ventilados para com o futuro: Sua escalada por pessoas realmente habilitadas, dadas as dificuldades de acesso e a altura; a presença na sua parte superior de jazida da  'pedra sabão'. O setor referente a história dos Nazarenos está aparte. Foi realizada a parte religiosa com participação da comunidade. O lado dito profano foi animado por banda cabaçal-sanfonica oriunda de Carnaíba; manifestações de populares fazendo alusão aos celebres Nazarenos; violeiros que passaram com muita habilidade a desenhar o caminho percorrido pelos membros da volante de Nazaré e finalmente o foguetório que fazia  a alegria dos presentes até madrugada a dentro.

 Nazaré em Festa na primeira grande cavalgada

Houve lançamento de livros; os escritores José Alves e Antônio Neto presentearam aos presentes "Pegadas de um Sertanejo - Vida e memórias de José Saturnino". O referido livro teve lançamento na noite de 1º de maio no pátio da Fazenda São Miguel do grande informante da história do cangaço, sr. Luiz de Cazuza. Outro lançamento - "Culinária Sertaneja"  de autoria do escritor Benedito Vasconcelos Mendes, atual presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC. A apresentação dos respectivos trabalhos esteve a cargo do pesquisador Paulo Gastão.

As perspectivas são verdadeiro atrativo: realização de nova promoção em futuro próximo; preparos para as comemorações dos 100 anos de fundação de Nazaré; incrementar no calendário histórico nordestino o dia 2 de maio, o escolhido para se comemorar a DIA das VOLANTES. A  LazerVídeo operada pelo grande cineasta do cangaço - Aderbal Nogueira - que dentro em breve estará lançando as imagens colhidas durante todo o evento. Aguardem!!!!! 

Paulo Gastão.
Fotos enviadas por Charles Wagner Lira

David Jurubeba e a Intuição de Lampião Por:Aldomir Ferraz

Davi Jurubeba

Em Maranduba Nazaré perdeu dois de seus importantes homens. Certa vez quando eu ainda estava na Policia Militar e trabalhava como segurança do senhor Juiz José Nunes Siqueira, de Floresta; o mesmo me pediu para levá-lo a casa de David Gomes Jurubeba, primo de meu pai, para saber mais da história de Lampião e o cangaço. Chegamos lá e batemos palmas no portão, daí David Jurubeba perguntou quem era, me identifiquei e ele mandou entrar ao que apresentei o Dr José Nunes a ele. Me lembro até hoje o episódio. 

Uma das perguntas que o Dr José Nunes fez ao David Jurubeba foi essa: "Tenente, Lampião era sabido ?" Tio David olhou pra ele e respondeu: "Olha vossa excelência, se Lampião fosse um besta nós teríamos acabado com ele rapidamente, pois em todos os combates em que nós os Nazarenos dávamos com ele na maioria das vezes ele se saia muito bem". Aí o Dr. Nunes fez outra pergunta a ele: "Tenente, mas o que eu quero mesmo saber do senhor, mais a fundo, é se Lampião adivinhava os perigos, como falam que muitas vezes fazia ?" Aí tio David respondeu: "Doutor eu sou evangélico e não devo acreditar nessas coisas mas Lampião ele tinha sim alguma coisa que avisava a ele".


Tio David Jurubeba ainda contou que certa vez ele e vários companheiros de sua volante botaram uma emboscada muito grande em Lampião, neste dia não tinha como Lampião escapar pois o rei do cangaço estava retornando por aquela direção em que eles estavam em tocaia,mas de repente o homem desviou a direção escapando da morte certa. Tio David disse ainda que naquele dia ficou pensativo sobre Lampião ter se desviado e não conseguia tirar isso da cabeça até que depois de ter prendido um cangaceiro que estava naquele dia, perguntou: "Cabra você estava naquele dia e local, tal e tal, vinha com Lampião , coisa e tal...? E o cabra ai respondeu: "Eu vinha sim com ele!" e tio David arrematou: "E por qual razão vocês não passaram por este local, já que não tinha outro local pra passar, por causa das macambiras e o mato muito fechado, etc e tal?" E cabra respondeu: " Naquele dia Lampião vinha na nossa frente numa marcha bem acelerada com o chapéu caído nos ombros e em dado momento ele parou de repente e fez sinal para todo mundo parar, ficou alguns minutos parado observando tudo em sua volta com muito cuidado como se alguém estivesse falando com ele e de repente ele nos deu outra ordem e falou - rapaziada nós não vamos mais seguir em frente, vamos é abrir caminho por dentro desse mato fechado" . 

Por fim tio David Jurubeba completou: "tinha alguma coisa que avisava a ele dos perigos, mas da parte de Deus, que eu como cristão sei que não era, e sim, da parte do diabo..." risos...

Aldomir Ferraz

Buíque, Pernambuco

Programação

Cariri Cangaço Piranhas 2015

25 de Julho - Sábado

19:30hs Centro Cultural Miguel Arcanjo
Apresentação da Filarmônica Mestre Elísio
Formação da Mesa de Autoridades
Representantes de Sociedades e Grupos de Estudos
 Hino Nacional
Abertura Oficial Entrega de Diplomas Cariri Cangaço

20:00hs Palestra: Piranhas e sua Historia 
Deputado Estadual e Pesquisador
INÁCIO LOIOLA DAMASCENO FREITAS

21:00hs  Apresentação Cultural do GMAP
 Grupo Musical Armorial de Piranhas 

26 de Julho - Domingo

7:30hs Saída para Maranduba
Poço Redondo
9:00hs O Fogo da Maranduba
MANOEL SEVERO BARBOSA

11:00hs Inauguração
MEMORIAL ALCINO ALVES COSTA
Poço Redondo
Palestra: O Cangaço e o Legado de Alcino Alves Costa
ARCHIMEDES MARQUES

13:00hs Almoço em Poço Redondo
Apresentações Culturais
14:00hs Retorno para Piranhas.

15:00hs Palácio Dom Pedro II - Prefeitura Municipal 
O Estudo Cientifico das Cabeças
LAMARTINE ANDRADE LIMA
 LANÇAMENTO DO PROJETO DE RESTAURAÇÃO DAS ESCADARIAS
IPHAN 
Apresentação do Roteiro da Invasão dos Cangaceiros 
Trajeto pelas ruas de Piranhas
JOÃO DE SOUSA LIMA

Centro Cultural Miguel Arcanjo
19:30hs Painel: Corrupção na Época do Cangaço
JORGE REMIGIO
NARCISO DIAS
SOUSA NETO

20:30hs Palestra: Cinema e História do Cangaço
ANTONIO FERNANDO DE ARAUJO SÁ
VERA FERREIRA

21:30hs Centro Histórico
Teatro do Cordel da Rabeca
O amor de Filipe e Maria e a Peleja de Zerramo e Lampião


27 de Julho - Segunda

8:00hs Fazenda Picos
Mapeamento da Rota dos Cangaceiros para Invasão de Piranhas 
8:30hs Fazenda Pau de Arara
  Contextualização Histórico-Geográfica da Invasão
INÁCIO DE LOIOLA DAMASCENO FREITAS
10:30hs Fazenda Cachoeirinha
Ataque a Cachoeirinha 

Instituto Federal de Alagoas - IFAL
11:45hs Palestra: Uma Viagem Fotografica pelo Cangaço 
IVANILDO SILVEIRA
KIKO MONTEIRO 12:30hs Almoço no IFAL
14:00hs Painel: A Vingança de Corisco no Palco dos Inocentes
CELSO RODRIGUES
ANTONIO AMAURY
SÍLVIO BULHÕES

15:00hs Homenagem a Família de Domingos Ventura
LANÇAMENTO DA PEDRA FUNDAMENTAL DA RESTAURAÇÃO 
Fazenda Patos

15:30hs Rasga Bode
16:30hs Retorno à Piranhas

Centro Cultural Miguel Arcanjo
19:30hs Painel: Arqueologia do Cangaço
 Apresentação das Repercussões e Primeiros Resultados 
LEANDRO DOMINGUES DURAN

20:30hs Painel: A Sexualidade nos Tempos do Cangaço
WESCLEY RODRIGUES
JULIANA PEREIRA
ADERBAL NOGUEIRA


28 de Julho - Terça feira

9:00hs Missa do Cangaço
Sociedade do Cangaço
VERA FERREIRA
Grota do Angico - Poço Redondo

13:00hs Passeio pelos Canyons do São Francisco
Encerramento no Karrancas


Cariri Cangaço Piranhas 2015

Realização:
Prefeitura Municipal de Piranhas
Cariri Cangaço do Brasil

Apoio:
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
Sociedade do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço


Cariri Cangaço do Brasil