Começa o Cariri Cangaço 2015: Princesa Isabel em Março

Emmanuel Arruda, Manoel Severo e Prefeito Domingos Sávio em Juazeiro do Norte

O último final de semana marcou a reunião de trabalho entre o Cariri Cangaço e Princesa Isabel para o fechamento final do evento, que sem dúvidas se configura como um dos mais esperados do ano: Cariri Cangaço Princesa 2015. Estiveram reunidos na cidade de Juazeiro do Norte, no Ingra Premium; hotel oficial do Cariri Cangaço; o curador do evento, Manoel Severo, o prefeito municipal de Princesa, Domingos Sávio, o assessor Emannuel Arruda e o secretario de infraestrutura Valmir Souza.

O ponto alto do encontro foi a definição da data do evento: 19 e 20 de março, próximos. Data em que se comemora o aniversário de um dos mais talentosos artistas do nordeste, filho de Princesa Isabel: Francisco Soares de Araujo, o nacionalmente conhecido "Canhoto da Paraíba". Para o Assessor Emmanuel Arruda "será uma grande alegria ter o Cariri Cangaço nessa data em que Princesa celebra um de seus mais destacados filho, que é Canhoto da Paraíba". 

Domingos Sávio, Valmir Souza e Emmanuel Arruda na Meca Juazeiro do Norte

O prefeito Domingo Sávio conclui: "É uma honra receber o Cariri Cangaço, sem dúvidas Princesa Isabel é uma terra de muita história e tradição e foi decisiva em um dos episódios mais marcantes deste século XX que foi a Revolução de Trinta, vamos ter a grande oportunidade de recontar essa historia e receber os filhos de Princesa que moram fora, além dos muitos e muitos convidados do Cariri Cangaço, pesquisadores de todo o Brasil."

Para Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço:"Hoje estamos fazendo história aqui em Juazeiro do Norte, sob as bençãos de Padre Cícero ! Fechamos a parceria entre o Cariri Cangaço e o município de Princesa Isabel, nesta honrosa visita do Domingos, do Emmanuel e Valmir, e ainda ter nosso Cariri Cangaço numa data tão significativa, quando Princesa Isabel realiza uma grande festa reunindo seus filhos de todos os cantos do Brasil, é uma grande honra, vamos sim nos esforçar para realizar um espetacular Cariri Cangaço, sem dúvidas já temos uma competente equipe trabalhando nisso, sob a coordenação de nosso confrade Emmanuel Arruda, vamos em frente".


Dias 19 e 20 de Março a terra do Coronel Zé Pereira, de Marcolino Diniz e Xanduzinha; 
o "Território Livre" de Princesa recebe 
em grande estilo o Cariri Cangaço, 
seja bem vindo.

Em breve programação completa.

A Casa de Pedra e Otávio Maia

José Otavio Maia e Professor Pereira na Casa de Pedra

Caro amigo Severo, estamos juntos neste  que será um grande ano para nós, se Deus quiser. Tenho um convite do amigo José Otávio Maia para você conhecer a Casa de Pedra de Jesuíno Brilhante, sendo seu hospede na Fazendo Olho D'Agua, 
de sua propriedade. 
Essa Fazenda fica em Catolé do Rocha, na divisa da PB com RN. Seria num final de semana; sábado e domingo; e poderia reunir alguns amigos do Cariri Cangaço, para um bate papo sobre Jesuino Brilhante. Ele quer reunir um grupo, nesse dia.
O recado está dado, o convite é dele.
Abraços. 

Professor Pereira

História do Cangaço: Bom de Vera e a Senhorinha de Corisco

Adelson (Camisa Listrada) , José Cícero e Bosco André

Os pesquisadores José Cícero(Aurora) e João Bosco André(M.Velha) empreenderam visitas no último final de semana à região do distrito de Missão Nova(município de Missão Velha-CE.  No roteiro, o sítio Chiqueiro das Cabras e Forquilha( que hoje compreende a fazenda Barreiras) famosos por terem abrigado no passado os temidos cangaceiros oriundos de Caririzinho-PE - Bom de Vera, Lua Branca e João 22 que também integraram o bando de Lampião.

No lugar ainda hoje residem vários parentes de Bom de Vera, a exemplo do Sr. Adelson(foto) - sobrinho do valente cangaceiro, que com  inegável cortesia recebeu os conselheiros do Cariri Cangaço em sua residência para uma proveitosa conversa sobre o tema. Falando sobretudo sobre sua mãe que no lugar era conhecida como Alzira de Bom de Vera.

Visita ao sobrinho de Bom de Vera em Missão Nova

Dados e informações históricas que serão utilizadas e reforçarão o embasamento dos livros que estão sendo escritos por ambos os pesquisadores, ou seja: "História de Missão Velha" (de Bosco André) e "Lampião em Aurora: Antes e depois de Mossoró"( de J. Cícero).
Partes daquelas antigas terras um dia pertenceram, inclusive, ao sr. João Arruda - irmão por parte de pai do célebra coronel Izaías Arruda( filho de Aurora e então prefeito de M. Velha). Quem sabe por ali, não se dera o primeiro contato e amizade do coronel com  Massilon Leite e  Lampião?

"Além de um interessante momento de absoluta aprendizagem, está e pisar o solo sagrado de Bom de Vera e sua cepa, é algo que nos enche de entusiasmo, sabedoria e curiosidade... Ao passo que nos transportamos no tempo e no espaço no sentido de descobrir e redescobrir novas lutas e acontecimentos emblemáticos que marcaram para sempre a verdadeira história(não-oficial) dos sertões e suas gentes", disse o professor José Cícero durante a visita. "Algo que realmente não tem preço", completou.

No caminho eles também visitaram os lugares onde um dia existiram os famosos engenhos de aguardente e rapadura de conhecidos latifundiários de antigos anos de fartura, tais como: Seu Adalberto Farias(sítio Coqueiros), bem como na extensão da Missão Nova dos senhores:  Pedro Saraiva, Antonio Argeu, Osvaldo Esmeraldo, Pedro da Cruz e Joaca Rolim - antigos símbolos de poder e de fomento da economia regional - e que infelizmente hoje, só fazem parte da memória de poucos.

 Bosco André, Luzilma Rolim, mestre Elias e JC no memorial da Missão Nova

Ressalta-se igualmente a visita ao velho casarão do patriarca Joaca Rolim - que agora abriga o memorial da família. Trata-se de um rico acervo de peças, documentos e outros pertences do famosos senhor de engenho - o maior benfeitor de Missão Nova e região. Um homem incomum pela visão e sabedoria que o projetou muito além do seu tempo. Um equipamento histórcio-cultural importante que ainda se mantem de pé, graças aos esforços redobrados da Sra. Luzilmar Rolim, filha do Sr. Joaca. O que segundo ela, precisa urgentemente de parcerias governamental e afins no sentido de garantir a preservação da memória histórica do distrito, de missão Velha e do próprio Cariri.

Senhorinha de Corisco: Foi no memorial de Joaca e Toinha que os dois pesquisadores do cangaço, encontram por exemplo, o quadro do Coração de Jesus(por sinal impresso na Alemanha) que nos primórdios dos anos 30 foi dado de presente à esposa de Joaca pela companheira de Corisco. que tinha a alcunha de "Senhoria de Corisco", quando da passagem e estadia do casal por aquele lugar. "O quadro foi doado em sinal de respeito e agradecimento à minha mãe pela hospitalidade que senhoria recebeu quando este por estas bandas, onde inclusive passou muitos dias", disse a diretora do museu Luzilmar Rolim.

Segundo ela, desde então, todos os dia 17 de julho sua mãe celebrava a tradicional renovação(reza do santo), em cumprimento a o pedido da senhorinha de Corisco no momento da entrega do presente a dona toinha, dizendo se tratar de uma promessa com o santo. 

Da Redação / blog de Aurora.
blogdaaurorajc.blogspot.com.br
www.prosaeversojc.blogspot.com
fotos: Karlos Marx e JC

Tudo pronto para a primeira Caravana Cariri Cangaço de 2015


Tudo pronto para mais uma Caravana Cariri Cangaço. A agenda dinâmica do ano 2015 começa a ser construída a partir deste próximo final de semana, primeira pauta: Cariri Cangaço Princesa-Triunfo. Com data pré agendada para a segunda quinzena de março, tendo como cidades sedes; Princesa Isabel e São Jose de Princesa, ambas na Paraíba,e Triunfo em Pernambuco.

O curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo, recebe neste sábado e domingo, em Juazeiro do Norte; para reuniões de trabalho a equipe do prefeito de Princesa Isabel; município paraibano, Domingos Sávio como também assessores tendo a frente Emmanuel Arruda . Em Juazeiro a caravana formada ainda pelos Conselheiros Cariri Cangaço, José Cícero, Sousa Neto, Bosco André e Pedro Luiz, haverão de fechar a programação e o formato do esperado "Cariri Cangaço Princesa-Triunfo 2015".

 Princesa Isabel, a nova casa do Cariri Cangaço em 2015
Prefeito Domingos Sávio, de Princesa Isabel

Ainda na região do Cariri, os membros do Conselho Consultivo terão reuniões para o desenho primeiro e o ponta pé inicial para o grande Cariri Cangaço 2015, seguindo a tradição de sua realização bienal, concretizando neste ano de 2015 a V Edição, reunindo provavelmente no mês de setembro, os municípios de Aurora, Barro, Missão Velha, Porteiras, Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte. Para Manoel Severo "são novos desafios, a cada ano que passa a responsabilidade aumenta, mas temos grande parceiros, grandes amigos e certamente haveremos de construir, juntos, mais uma grande edição do Cariri Cangaço, sua quinta edição neste ano de 2015, sem falar na visita honrosa ao nosso Ceará, dos amigos de Princesa Isabel, tendo a frente o Domingos Sávio, neste grande proposito de realizarmos ainda em Março o Cariri Cangaço Princesa-Triunfo, sem dúvidas vai valer a pena".

Bosco André, Sousa Neto, José Cícero e Pedro Luiz, Conselheiros e o primeiro desenho do Cariri Cangaço 2015...

Após a agenda da Caravana em terras cearenses, haverão reuniões nesta segunda-feira em Serra Talhada, onde Manoel Severo almoça com Francisco Mourato e Álvaro Severo. Ao lado do pesquisador Louro Teles haverão visitas as municípios pernambucanos de Calumbi, Flores e Floresta, com passagem por Nazaré do Pico e ainda visitas técnicas a cenários épicos das grandes batalhas do cangaço: Serra Grande e Serrote Preto.

Durante a semana a Caravana terá ainda visitas aos municípios de São José de Princesa e Patos de Irerê, Santa Cruz da Baixa Verde e a bela Triunfo, quando ao lado dos confrades André Vasconcelos e Diana Rodrigues, terão reunião para definir a programação de março. Por fim retribuindo a visita do grupo do prefeito Domingos Savio, a Caravana Cariri Cangaço encerra o giro pela tradicional Princesa Isabel. Tudo o que aconteceu você ficará sabendo através de nosso blog e de nossa pagina no facebook. Cariri Cangaço 2015, agora é se planejar e arrumar as malas...

Cariri Cangaço

A Fé do Cangaço Por:Eraldo Ribeiro Tavares


Tido como um facínora, homem sem piedade, bandido sanguinário, monstro e até como a própria encarnação do diabo, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, marcou a história do Nordeste e até a do Brasil, com seus longos vinte anos de correrias e crimes pelo sertão nordestino. Este trabalho mostra o que poucas pessoas sabem e poucos pesquisadores se dedicaram a desvendar: o cangaceiro Lampião, juntamente com os outros membros do seu bando, desenvolveu outro lado da sua existência como ser - a questão da sua religiosidade. 

Como a maioria dos sertanejos praticantes do chamado catolicismo popular, Lampião mantinha relação com anjos e santos, rezava todos os dias e acreditava em forças ocultas e em sonhos. Nunca buscou fugir às regras em que foi educado desde criança pela sua mãe e pela sua avó que foram as responsáveis pela sua formação religiosa. Era devoto de alguns santos, em especial de Nossa Senhora da Conceição. Tinha como hábito realizar missas improvisadas sempre acompanhado dos demais cangaceiros que viviam sob seu comando. 

 Virgulino Ferreira, Lampião; em plena oração na caatinga...

Isso funcionava como fator de respeito e servia para amenizar possíveis sofrimentos da alma que pairassem sobre eles. Assim, a questão da religiosidade dentro do cangaço torna-se fundamental para enriquecer a temática na qual, volta e meia os interessados se deparam com novas obras. Todavia, elas não tocam exclusivamente na questão da vivência religiosa do bando. Muitos trabalhos já foram publicados sobre o cangaço e, em especial, sobre Lampião. Sendo mais uma, esta dissertação foi escrita com a finalidade de contribuir para alargar a visão sobre o fenômeno do cangaço, em especial utilizando os elementos das Ciências da Religião para entender um pouco mais sobre a questão da religiosidade na pessoa de Lampião e dos cangaceiros que viveram em sua órbita de comando.

Veja o trabalho de Eraldo Ribeiro Tavares no endereço abaixo:
http://www.unicap.br/tede//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=930

Fonte:http://crunicap.blogspot.com.br/2013/10/a-fe-do-cangaco.html

Capitão ou Coronel ? Por: Jorge Remígio

Jorge Remígio

O preconceito que existe em relação à polícia é secular. Entre outros fatores, um órgão de repressão só em determinados momentos tem a compreensão e aceitação do público. Seria um erro crasso, admitir que não houve excessos por parte de policiais volantes e até de alguns comandantes no combate ao banditismo rural, principalmente nas décadas de vinte e trinta.

O que me deixa estarrecido é ver pessoas estudiosas, escritores e aficionados do estudo do cangaço que desconhecem o papel relevante de homens aguerridos e intrépidos que embrenharam-se nos emaranhados garranchos e espinhos das caatingas do semi-árido na perseguição quase que ininterrupta aos bandoleiros, sofrendo todas as intempéries da natureza, como chuvas, sol abrasador, dormindo ao relento, passando fome e sede muitas vezes, adoecendo, ferindo-se em espinhos, deixando de ver a família por vários meses, recebendo um soldo insignificante, correndo o risco de morrer em combate a qualquer momento entre outras coisas nefastas inerentes à missão. 

Comento isso porque sei que muitos comungam com esse pensamento e também quero deixar aqui um apelo: Não fiquem afirmando categoricamente sem a menor prova documental que as volantes praticaram mais violência do que cangaceiros. Porque isso é prova inconteste de um total desconhecimento do que foi o fenômeno CANGAÇO. 

Jorge Remígio
Pesquisador do GPEC
Membro do Cariri Cangaço

O Dia do Barulho Por:Emerson Monteiro

Archimedes Marques, Emerson Monteiro, Manoel Severo, Cristina Couto, Jorge e Reclus de Pla no Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014

Por volta das 12h do dia 09 de janeiro de 1922, se registrara em Lavras da Mangabeira, no pleno centro da cidade, uma luta armada que redundaria na morte de Simplício Augusto Leite, José Leite Filho e do major Eusébio Tomás de Aquino, restando ferido o prefeito municipal coronel Raimundo Augusto Lima. Essa data vincou a tradição do lugar como o dia do barulho, pela monstruosidade e repercussão que produziu na política cearense, vistos os detalhes a seguir consignados. 

Eram as primeiras décadas do século XX e nas comunas do Nordeste interior famílias de senhores feudais detinham o poderio de mando, arrebanhando tropas de cabras armados de rifles, mosquetões, bacamartes e fuzis, impondo, à força bruta, seus domínios. Em Lavras, as coisas não se dariam de outro modo. A hegemonia política da localidade coubera a dona Fideralina Augusto Lima, que mandara e desmandara, no sabor de seus humores, até sua morte em 1919, cuja herança contemplou, sobretudo, aos filhos, genros e outros parentes próximos.
Gustavo Augusto Lima
O prefeito Raimundo Augusto Lima, neto da matriarca, no dia aziago, instigado pela agressividade de um irmão, Gentil, viu-se face a face com os mentores principais da facção rival, de armas em punho. Por pouco escapou de ser fulminado de morte nas escaramuças, recebendo balaço de raspão no curso das costas ao crânio, em disparo de rifle, depois de negacear o corpo ao contato do cano da arma adversária. Dentre outros que participaram do tiroteio figuravam Anselmo, Dori e Luiz Teixeira Férrer, vulgo Lela, este que depois contrairia núpcias com Maria, filha de Gustavo Augusto e viúva de José Leite Filho, tombado no conflito.
Apesar das perdas em vida registradas, o grande perdedor da refrega, no entanto, seria, a posteriori, o coronel Gustavo Augusto Lima, filho de Fideralina e pai dos dois envolvidos Raimundo e Gentil Augusto, então deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Estado, ausente da cidade naquele dia sangrento. Devido à morte do major Eusébio Tomás de Aquino, seus filhos Roldão e Raimundo Augusto de Aquino, vulgo Raimundo de Eusébio, juraram vingança ainda sobre o corpo do pai. Escolhido por objeto da vindita, o coronel Gustavo era também o padrinho de batismo de Roldão, um dos filhos de Eusébio. Visto isso, restou a Raimundo o papel de perpetrar o ato premeditado.


Dona Fideralina Augusto Lima
Passados, pois, um ano e dias do ocorrido no centro de Lavras, a 28 de janeiro de 1923, em Fortaleza, na Praça do Ferreira, ocasião em que o coronel Gustavo, ao lado de duas filhas, Luisinha e Maria Luísa, tomava assento no bonde do Outeiro para se deslocar à sua residência na Avenida Dom Manuel, e tombaria vítima de disparos de revólver deflagrados por Raimundo de Eusébio.
A data lavraria greve golpe na família Augusto pelas sérias consequências impostas ao mando político, abalo multiplicado logo adiante na história com as ações desarmamentistas da Revolução de 30 e outras providências de dissolução dos feudos estabelecidos desde os primórdios da colonização.
Emerson Monteiro - Crato, Ceara
Fonte:http://blogdocrato.blogspot.com.br

Reencontro com o Mestre Por:Manoel Severo

Dr Benedito, Antônio Amaury e Dona Renê, Manoel Severo

Fazia tempo que não encontrava São Paulo tão quente, a sensação térmica estava terrível, a umidade do ar e termômetro marcando 33º C em plena 18:30 h só perdiam para a satisfação e alegria em reencontrar queridos amigos. O bairro; Jardim São Paulo;  extremamente agradável e a travessa Guajurus, um recanto onde pontuam preponderantemente residências, pequenos sobrados e pequenas vendas, nos transportam para uma "Sampa" mais tranquila, onde as pessoas ainda se cumprimentam nas calçadas, jogam conversa fora, sorriem juntas... É ali o "coito" de um dos mais respeitáveis pesquisadores sobre o cangaço no Brasil: Antônio Amaury Correia de Araujo. 

Mestre, segundo o "Aurélio" significa: Professor de grande saber e nomeada, o que é versado em qualquer ciência ou arte, oficial graduado de qualquer profissão... Para mim, Mestre é tudo isso e mais: É aquele que coloca a alma, o coração e todos os seus talentos e esforços, naquilo em que acredita, naquilo pelo qual tem paixão, naquilo que faz o "olho brilhar". Abraços, cumprimentos, como vai esse ou aquele...o tempo está assim, aliás: assado... Os amigos , o governo, os transportes, as manifestações da praça da república, e... "Cangaço"! Pronto, os olhos daquele espetacular paulista de alma sertaneja começaram a brilhar; sem dúvidas, estava diante do Mestre.

 Dr Benedito, Manoel Severo e Antonio Amaury: Anfitriã, dona Renê e seu famoso Bacalhau. 

A noite quente transcorreu agradável pela qualidade dos interlocutores e o manancial inesgotável que é o cangaço, a cada assunto, um novo dado, um novo detalhe, quando vimos estávamos detidos em "Mané Veio..." o famoso Antonio Jacó e sua saga de um homem que possuía uma coragem que "beirava a loucura", como diz Amaury.

"Severo você sabia que Antônio Jacó quase entrou para o bando de Lampião? a família dele, os Marques, eram ligadas à família de Maria Bonita na Malhada da Caiçara, foi a própria Maria que fez o convite... Já pensou se esse homem se soma ao bando de Lampião? Depois veio a Maranduba e ali Antônio Jacó viria a perder vários parentes e aí o ódio a Virgulino ficou quase incontrolável, culminando no Angico quando perdeu a vida o Rei do Cangaço e Antônio Jacó foi ali um dos personagens principais. Ele esteve por várias vezes aqui em minha casa, confiando aqueles episódios todos", ressalta Antônio Amaury.

Dr. Benedito, Amaury e dona Renê,Carlo Araujo

Teremos novidades em breve. Antonio Amaury me confidenciava que está dedicado, do alto de seus 70 anos de labuta, à finalização de mais uma obra "que já vai com mais de mil páginas" , essa com um enfoque todo especial às volantes. "Esse pessoal fez barbaridades" confessa Antonio Amaury. Corisco, Dadá, Sinhô Pereira, Zé Sereno, e tantos outros personagens acabavam sendo citados e lembrados ao longo da conversa, como numa grande prévia dos próximos encontros a partir da agenda Cariri Cangaço 2015.

Ao final, ao lado de nosso confrade Dr. Benedito Denardi e do filho, companheiro de viagem e de pesquisas, Carlo Araujo, Antônio Amaury ainda refletia entusiasmo com a mais nova empreitada do Cariri Cangaço, "sensacional o Cariri Cangaço ir até Princesa e Triunfo, sem dúvidas vamos esta presentes, Princesa é uma cidade que ainda não conheci, rica em tradição e história" finaliza o Mestre. Agora é aguardar Março chegar e reencontrar os amigos, muita história e muita emoção em mais um grande ano de Cariri Cangaço.

Manoel Severo, Curador do Cariri Cangaço
visita a Antonio Amaury em 10 de janeiro de 2015 - São Paulo

O Cariri está de Luto, Faleceu Mestre Antonio Aniceto Por:Cacá Araujo

Mestre Antonio Aniceto

A Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto fica, a partir de hoje, tristemente desfalcada com o falecimento do Mestre Antonio Aniceto, batizado Antonio José Lourenço da Silva. Fez aquela viagem inevitável, partiu para junto de tantos outros grandes e inesquecíveis artistas e mestres, como Chico e João Aniceto, Britim, Eloi Teles, Correinha, Walderêdo Gonçalves, Dedé de Luna, Cego Aderaldo, Zé de Matos, Zé Gato, Toni Bonequeiro... Em grande festa será recebido na outra dimensão da existência; com enorme tristeza nos despedimos de seu convívio.
Estamos todos de luto! O Mestre Antonio Aniceto tinha em si a riqueza de uma ancestralidade que resiste mantendo viva e pulsante a arte tradicional popular. Exímio pifeiro, imitador de bichos e brincante performático sem igual, fazia par com seu irmão Mestre Raimundo Aniceto na condução da banda cabaçal mais famosa e respeitada do Brasil, também integrada hoje pela terceira geração representada por Adriano, Cícero, Joval e José Vicente, e já tendo uma bandinha mirim. Com sua morte, perdemos um dos mais vibrantes e brilhantes ícones da cultura popular, um patrimônio imaterial reconhecido que deixa valioso legado musical e exemplo de homem de coração generoso.
Cacá Araújo, Folclorista e Dramaturgo - Cia. Brasileira de Teatro Brincante
Foto: Wilson Bernardo
Fonte: Blog do Crato - Dihelson Mendonça

Lampião em Aquidabã Por: Antônio Corrêa Sobrinho


Penso que, das investidas criminosas de Lampião e seus asseclas contra o povo sergipano, nenhuma, a meu ver, causou tanto terror, pânico e prejuízo do que a empreendida contra a população da então vila de Aquidabã, num certo dia de outubro de 1930, cujas informações primeiras a respeito só chegaram ao conhecimento do público depois de algum tempo, pelo médico e escritor Ranulfo Prata, no seu livro “LAMPIÃO”, as quais trago abaixo; vez que, até onde eu sei, os jornais sergipanos não noticiaram este trágico acontecimento.
Hoje, pela manhã, de passagem por Aquidabã, de uma parte alta da cidade, tirei esta fotografia (abaixo) que revela, panoramicamente, uma de suas partes mais velhas; ao mesmo tempo que registrei presença na provável imediação aonde ocorreram as barbáries contra o fazendeiro Zé do Papel, seu irmão Antônio Custódio, o roceiro Eduardo Melo e o fronteiriço Souza de Manuel do Norte.

Antônio Corrêa Sobrinho e Ed Wanderlei

Aquidabã por Antônio Corrêa Sobrinho

Eis o referido trecho do livro de Ranulfo Prata:

"Em outubro de 30 explode a Revolução, e o presidente do Estado, homens de instintos guerreiros à prussiana, para enfrentar as forças do capitão Juarez Távora que descem, em avalanche, do Norte, desguarneceu todo o interior.Lampião achou, afinal, a ocasião que tanto desejava, e partiu, num galope, em demanda da fronteira, para um ajuste de contas com amigos que não lhe foram leais.Era o voo certeiro de caracacá que desce como uma flecha sobre a presa desprevenida.

Nesta feita tocou primeiramente em Aquidabã. Compunham o bando, agora: Moderno, Corisco, Azulão, Ponto-Fino, Volta Seca, Couro Seco, Beija-Flor, Cirilo, Mariano, Fortaleza, Mourão, Zé Baiano e mais cinco.No povoado Cajueiro, cerca de três quilômetros da vila, às duas horas da manhã, bateu à porta de José Custódio de Oliveira, conhecido por José do Papel. Aberta a porta, José Baiano o agarrou e ameaçando-a de morte intima-o a dar o dinheiro que possuísse. José Custódio deu-lhe o que tinha – 850$000. Os bandidos saqueiam lhe a casa, levando roupas, anéis e objetos de uso. Um deles ao fitar um dos filhos menores de José a dormir na rede, diz:

- Está este pestinha aqui drumindo; tava bom de suspendê na ponta do punhá.

Um companheiro intercede em favor da criança. José Baiano leva José Custódio à presença de Lampião, que se achava dentro do mato, cerca de 50 metros de distância.No saque descobrem dez balas de rifle. Lampião interroga-o a esse respeito. José custódio responde que emprestara a arma ao Dr. Juarez Figueiredo, juiz municipal da vila. Lampião murmura: - com certeza pra esperar Lampião. E indaga se o juiz está em casa, obtendo resposta negativa.


Partiram para a vila. As pessoas encontradas no caminho eram detidas e incorporadas ao grupo. Perto dois bandidos subiram a um poste telegráfico e cortaram as linhas. Ao romper da manhã entraram na vila, tomando de assalto o quartel de polícia, onde não havia soldado. José Custódio ficou sob a vigilância de Lampião, Volta Seca e Moderno, espalhando-se pelas ruas as restantes, a arrombarem as casas e surrando todas as pessoas a bolo e chicote, feito de vergalho de boi. Alguns batem às portas, e, quando estas mal se abrem, irrompem, inopinadamente, pelo interior, de chicote erguido, a desferir golpes sobre golpes. Estão ferozes, animados de uma cólera louca.

Senhoras e moças fogem em trajes menores para o mato, desvairadas de pavor.A vila desperta toda enovelada num tumulto de feira, de onde emerge um pânico que imbeciliza os moradores.O nome de Lampião corre como um rastilho da casa mais abastada ao casebre das pontas de ruas miseráveis, pondo tremuras nos corpos, como uma sezão maligna.

Saqueiam o comércio e as casas particulares, carregando joias, roupas, objetos.Na residência de José Xavier, o quadro é atroz. Depois de roubado metem-lhe bolos.A mulher, animosa e valente, intercede e os chama de bandidos. Lampião ordena que a castiguem também. Os bolos estalam, brandida a palmatória pelo braço forte do negro Mariano. O marido pede. A mulher se indigna com a fraqueza do esposo e continua a xingar os miseráveis. E continua a apanhar.

Ranulfo Prata

Um certo Souza de Manuel do Norte, pobre maluco, tipo de rua de cidade do interior, aparece entre eles e vendo-os entregues ao arrombamento das casas, pede-lhes, com a sua falta de juízo, que não façam tal. Os cabras se exasperam e o insultam.E porque Souza, na sua inconsciência, lhes replica que também é homem, puxando de uma faquinha de marinheiro, sem ponta, um deles o abate logo a “parabélum”, em plena praça do comércio!

E repete-se a cena bárbara passada com o cadáver do tenente Geminiano. Com enorme facão marca “Jacaré”, abrem-lhe o ventre, incisando-o largamente. Retiram punhados de tecido gorduroso e ali mesmo “azeitam” os fuzis.É um quadro que aterroriza e faz nascer indignação inominável.Dispersos pelas ruas, não param no saque.

O velho Aurélio, agricultor, nega-se a dar dinheiro, apesar da insistência de Moderno. Este, afinal, que se vinha mantendo calmo, embravece e grita-lhe que não “viera ali para alisar homem”, batendo-lhe a face a pano de punhal, enquanto Volta Seca, por detrás, “pepina-o” sadicamente.

Arte de Denis Aragão

Numa esquina, Volta Seca põe abaixo, sozinho, a porta de uma venda e vasculhando as gavetas e nada encontrando, derriba, numa cólera selvagem, toda uma prateleira de louça, que se esfarelou no chão com ruído formidável de desabamento.Nada lhes resiste à fúria de possessos.Trazem para a rua o cofre de ferro do negociante Clementino Azevedo e o abrem, a golpes de marretas, conseguidas num tenda de ferreiro próximo, dele retirando três contos, que foram mesmo ali repartidos entre eles.

Calcula-se em vinte e cinco contos o que levaram em dinheiro e joias. As moedas de níquel e prata atiravam na rua, desdenhosos.Depredada toda a vila, arranjam, sob ameaça, animais selados.Antes da partida, José Baiano aproxima-se de José Custódio e lhe diz:

- Vou deixá uma lembrança pra você não emprestá mais rifle pra espera Lampião. Lança-o em seguida por terra e o espanca a vergalho. Não satisfeito, propõe mata-lo. Moderno, porém, que vinha chegando, impede, levando-o para junto de Lampião.

Aí desenrola-se outra cena monstruosa. Um dos bandidos, depois de esbordoar a couce de fuzil o roceiro Eduardo Melo, cortou-lhe a facão uma das orelhas, que se despegou com metade da face, morrendo o rapaz após um mês de padecimento. No ato da mutilação, um deles grita ao companheiro cruel:

- Não corte tudo, deixe um quinhãozinho do delegado.

O mesmo bandido, com as mãos sangrentas, volta-se para José Custódio e o previne de que ia deixar-lhe outra lembrança e logo decepa lhe a orelha, atirando-a ao chão. Acode-lhe o seu irmão Antônio Custódio, rogando a Lampião que não o deixe matar. Mas um dos cabras agarra-o e dizendo: deixe vê a sua também, faz-lhe o mesmo.Depois de mutilado José Custódio, sangrando, a inspirar dó, Lampião o chama e diz que vai lhe dar um remédio, obrigando-o a beber um litro de cachaça. O homem cai sem sentidos. O delegado de polícia, que se achava preso, e para o qual estavam reservadas as mesmas crueldades, fugiu, num momento de descuido, o que enfureceu Lampião, repreendendo os asseclas: - Voceis não faz nunca as coisa bem feita!” 

Antônio Corrêa Sobrinho
Fonte: Facebook

Vem aí "Notas para a História do Nordeste" de Romero Cardoso


Ao escrever e lançar a mais encantadora toada intitulada “Asa Branca”, em 1947, a dupla Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga alertava as autoridades brasileiras para as catástrofes da seca no Nordeste, e num grito desafiador do mais fundo do peito pedia socorro ao Supremo Criador de todas as coisas: “Quando oiei a terra ardendo, qual fogueira de São João, eu preguntei, ai, a Deus do céu, porque tamanha O  jovem e renomado escritor paraibano José Romero Araújo Cardoso no seu novo livro “Notas para a História do Nordeste” , busca com força, na sua intocável destreza mental colocar em ação grandes figuras do mundo sábio, corajoso e defensor do nosso sofrido torrão nordestino, provando a luta de cada um para tornar esse quase país, em igualdade de condições às demais regiões brasileiras muito bafejadas pelo governo central, numa demonstração do desprezo para com os estados nordestinos que contam com cinquenta e três milhões, oitenta e um mil e Esboçando uma força gigante do peito revoltado, Romero grita contra “o drama da fome, feridas abertas que os poderosos insistem em não curar”.

José Romero Cardoso

Em termos de cultura, o Nordeste é rico nos seus mais diversos tipos, mesmo esmagada, algumas, pelo fogo aterrorizante dos capatazes do poder, mesmo assim continua viva para o desenvolvimento da Pátria. A cultura religioso-desenvolvimentista, patrocinada pelo Padre Cícero Romão Batista e seus romeiros, do Juazeiro do Norte cresce a cada instante, porque é obra pura, cristalina que transforma aquela terra forte com o crescimento do seu movimento artístico. Nem mesmo a força dos canhões do governo Franco Rabelo, à época, fez os ciceristas se renderem. Continuaram unidos e fortes na defesa dos seus A cultura viva transmitida por Luiz Gonzaga, defendendo o território nordestino, sua fauna, sua flora, nosso povo e nossa arte imbatível continua em expansão no Brasil inteiro, superando os arrojos de regiões outras que teimam em não aceitar a nossa força sempre vitoriosa.


...Louvo, neste livro de Romero a coragem e a profundidade estudiosa de buscar ensinamentos de obras sobre a democracia racial de Gilberto Freire, a dramaticidade da violência do cangaceirismo, sob a égide de Lampião. E detalhes sobre o brutal assassinato do Padre Aristides, pela Coluna Prestes, em Piancó-Nas visitas que fiz recentemente a cidade de  Quixeramobim, estado do  Ceará fiquei entusiasmado com movimentação daquele povo em favor da eternização do nome de Antônio Conselheiro, na sua terra natal. É o reconhecimento da sua gente ao heroísmo do Conselheiro. O sentido amoroso de cultura entre os quixeramobienses crescem a cada dia pela lembrança do filho mais ilustre. Louvo as campanhas promovidas pelo produtor cultural Fernando Ivo, Presidente do Clube Romero está colocado entre os maiores e melhores escritores do Brasil, e com o lançamento de “Notas para a História do Nordeste imortaliza o grau cultural que nossa região proclama e o Brasil exalta.

Tem razão o escritor Clemildo Brunet quando afirma ser “Romero Cardoso - uma inteligência rara”, e Marinalva Freire que eleva o grau cultural do nosso escritor. Não se pode falar da obra de Romero sem lembrar fervorosamente a capa do livro, pelo espírito de criatividade juntando monstros sagrados como Luiz Gonzaga e Padre Cícero, retirantes saindo das várzeas secas buscando o solo fértil, vaqueiro na corrida pelo boi, as árvores do mundo novo e o castigo das mortas pela falta de chuvas nesse Nordeste tão esquecido pelo poder dos homens e sempre exaltado por líderes inesquecíveis como: Raimundo Asfora, Delmiro Gouveia, José Américo de Almeida, Vint-un Rosado, Josué de Castro e Ariano Suassuna.


Junto a Romero as palavras de um dos maiores paraibanos, Senador Argemiro de Figueiredo sobre a seca: “A seca destrói tudo, as lavouras, os rebanhos, o patrimônio, a tranquilidade, o bem estar, a esperança e até a própria dignidade A respeito da consciência da nossa região, Argemiro fala com propriedade: “O Nordeste tem nesta hora uma consciência formada: a consciência de que é um pedaço do Brasil. A consciência de que é uma parcela da Nação. A consciência de que merece viver dignamente, sem fome e sem miséria”. É assim, José, temos que ser fortes, corajosos, dinâmicos, livres, prontos para todas as batalhas, criativos como o “Caldeirão Político”, que homenageia os heróis nordestinos com o Troféu “Vencedor de Todas as Lutas”.

Temos que seguir ensinamentos seus, reconhecendo o valor da civilização do couro, o heroísmo das parteiras tradicionais, como a querida “Mãe Fulô”, a luta dos almocreves, o aboio dos vaqueiros. Temos de vencedores de todas as lutas, para fazer os nossos irmãos nordestinos livres e independentes.

Francisco Alves Cardoso
Advogado, escritor, jornalista cronista social. 
Membro da União Brasileira de Escritores-PB

Notas para História do Nordeste, 
por Francisco Pereira...

Recebi, com grande satisfação, o convite do amigo, professor e escritor, José Romero Araújo Cardoso, para editar e prefaciar este seu, mais recente, trabalho, “Notas para a História do Nordeste”. Cumpri essa incumbência honrosa, com grande prazer, apenas reconhecendo as minhas limitações, no cumprimento de tão importante missão. Escrever sobre a história e a cultura nordestina é dissertar a complexidade, os meandros de milhares de fatos, personagens, fenômenos e manifestações artísticas e literárias, que abrangem os fatores políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, que marcaram profundamente a nossa região.

Professor Pereira e Fátima Cruz

O grande desafio é levar a nossa história às mesas de leitura, estudos e debates, tornando-a conhecida pela maioria dos nordestinos, especialmente, os estudantes. A missão não é fácil, mas é nosso dever lutar por este objetivo. Dando a sua contribuição, nesse sentido, o professor e escritor Romero Cardoso, um amante da história regional, abnegado estudioso e exímio escritor das nordestinidades, escreveu uma série de artigos relacionados ao Cangaço, Coronelismo, Coiteiros, Canudos, Lampião, Revolta de Princesa, personagens e tradições regionais, como Luiz Gonzaga, os Almocreves, os Vaqueiros, as Parteiras, o fenômeno das secas, entre outros e publicou em sites, blogs, jornais e revistas. Agora, resolveu nos presentear, reunindo parte deste material e outros artigos inéditos, num livro (Coletânea) com o título “Notas Para a História do Nordeste”.

O objetivo deste trabalho fica bem claro, que é contribuir com o estudo da nossa História, evitando que a ferrugem do tempo apague essas memórias, tão bem elaboradas por meio desses excelentes artigos. Em alguns artigos, o autor fez uma análise mais aprofundada, fundamentada teoricamente; em outros, a dissertação foi mais superficial, sem o aprofundamento merecido, mas sem prejudicar a mensagem do autor referente ao tema tratado. A clarividência e objetividade com os seus escritos é uma característica marcante deste escritor paraibano de Pombal, adotado por Mossoró.

Kydelmir Dantas, Mucio Procopio, Manoel Severo, Romero Cardoso e Antonio Vilela

A obra de José Romero inicia falando da Civilização do Couro nos séculos XVIII, XIX e início do séc. XX; continua falando das nossas parteiras e dos Almocreves. Defende que o Aboio dos vaqueiros deve ser considerado patrimônio do Nordeste. Trata da grade seca de 1877-1879, uma catástrofe. Em seguida, descreve a saga do famigerado Rio Preto, que agiu na região de Pombal-PB. Comenta os possíveis motivos da sua personalidade perversa e cruel. Seus crimes e seu fim. Na sequência, vem a Guerra de Canudos, um massacre injustificável, onde foram dizimadas milhares de vida de conselheiristas e de militares. Trata também do estrategista de guerra, “Pajeú”. Passeia pela história de um dos grandes visionários e progressistas do Nordeste, o industrial Delmiro Gouveia. 

Entra na História do Cangaço, com o Ataque a Sousa-PB, em 1924, reação do Cel. Pereira, o assassinato de Meia-Noite e a vingança de Lampião. Fala da Coluna Prestes, em Piancó, e o caso Padre Aristides, em 1926. Vem a Revolta de Princesa, o assassinato do presidente João Pessoa e a Revolução de 30. É um verdadeiro passeio nas veias, veredas e recantos da terra do sol. Mostra-se emocionado ao descrever a experiência de assistir ao show do Rei do Baião, quando ainda pequeno, em praça pública, na sua querida cidade de Pombal-PB, no ombro do seu pai, que era de Luiz Gonzaga e finaliza, fazendo uma referência especial ao seu grande amigo Dr. Benedito Vasconcelos e seu Museu do Sertão, na fazenda Rancho Verde, em Mossoró.Recomendo a todos, a leitura desta coletânea e desejo muito sucesso ao autor no lançamento deste seu trabalho.

Francisco Pereira Lima; professor Pereira
Sócio da SBEC - Conselheiro do Cariri Cangaço